Publicado em 16/01/2018 as 9:00am

Haitianos protestam perto de clube de Trump na Flórida para exigir desculpas do presidente

Trump foi acusado pela mídia de usar a expressão 'buracos de merda' ao se referir a Haiti, El Salvador e países africanos.

Haitianos protestam perto de clube de Trump na Flórida para exigir desculpas do presidente Protesto que exige pedido de desculpas do presidente Donald Trump ocorre nesta segunda-feira (15) em Pal Beach, enquanto carro da comitiva presidencial passa em frente.

Várias centenas de haitianos protestaram nesta segunda-feira (15) perto de Mar-a-Lago, propriedade do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no sul da Flórida, para exigir-lhe que peça desculpas por seus supostos comentários insultantes sobre o Haiti.

Trump foi acusado pela mídia americana de usar a expressão "buracos de merda" ao se referir a Haiti, El Salvador e vários países africanos em uma reunião sobre imigração - o que ele nega.

A imprensa local cifrou entre 200 e 400 o número de participantes na manifestação desta segunda em Palm Beach, cidade que fica cerca de 100 quilômetros ao norte de Miami. Os manifestantes ficaram perto do perímetro de segurança que rodeia o clube Mar-a-Lago, onde Trump está passando o final de semana prolongado nos EUA.

A manifestação acontece significativamente no dia dedicado ao defensor dos direitos civis da população negra, Martin Luther King, nascido em 15 de janeiro de 1929.

No final de semana houve protestos em alguns países africanos.

'Qeuremos desculpas'

Segundo o jornal "Sun Sentinel", os manifestantes haitianos reunidos nesta segunda gritaram palavras de ordem como "Queremos desculpas".

O organizador da manifestação, James Leger, um ativista e locutor de rádio haitiano, disse que se o reverendo King, que foi assassinado em 1968, estivesse vivo, "estaria se manifestando conosco", segundo relatou o "Sun Sentinel".

"Vamos rezar pelos EUA e pelo presidente Trump. As pessoas cometem erros. Não estamos pedindo o impeachment, só pedimos que se desculpe", acrescentou.

O portal "Palm Beach Post" indicou que a manifestação foi crescendo ao longo da manhã até chegar a cerca de 400 pessoas que estão percorrendo a ponte que une Palm Beach à ilha onde está Mar-a-Lago.

Charlemagne Metayer, um haitiano nacionalizado americano, declarou a este portal que muitos dos manifestantes têm até três empregos para poder manter suas famílias.

"Somos gente que trabalha duro. Merecemos uma desculpa do presidente", ressaltou.

Proteção temporária

Os manifestantes criticaram também que o governo Trump tenha decidido acabar com o programa de Status de Proteção Temporária (TPS) para imigrantes do Haiti, que se calcula que beneficiava mais de 58 mil pessoas, com o argumento que o país caribenho já está em condições de recebê-los.

Os haitianos receberam o TPS após o catastrófico terremoto sofrido em 2010, que causou cerca de 300 mil mortes e deslocou um milhão e meio de pessoas.

O governo Trump deu aos haitianos que se beneficiavam do TPS um prazo de 18 meses para que retornem ao seu país ou busquem uma alternativa a partir de 22 de julho de 2019.

Fonte: Por Agencia EFE