Publicado em 18/01/2018 as 3:00pm

‘Implorávamos para falar com eles’, diz tia dos 13 irmãos acorrentados pelos pais nos EUA

Irmã de Louise Anna Turpin, presa com o marido, diz que não tinha mais contato com a família há 2 anos.

‘Implorávamos para falar com eles’, diz tia dos 13 irmãos acorrentados pelos pais nos EUA Louise Anna Turpin e David Allen Turpin, presos pela polícia e acusados de acorrentar e privar de comida seus 13 filhos, na Califórnia (Foto Riverside County Sheriff's Department via AP)

Elizabeth Flores, tia dos 13 irmãos encontrados acorrentados pelos pais em sua casa em Perris, na Califórnia, disse nesta quarta-feira (17) que implorava para ter contato com os sobrinhos e que há dois anos sua irmã havia parado de falar com ela.

Flores é irmã de Louise Anna Turpin, que foi presa junto com seu marido, David Allen Turpin, depois que uma das filhas do casal, uma jovem de 17 anos, fugiu da casa no domingo (14) e chamou a polícia. A adolescente telefonou para o serviço de emergência 911 de um celular que encontrou na residência. Os filhos do casal tinham idades entre 2 e 29 anos.

“Queria que eles soubessem que por anos nós imploramos para falar por Skype com eles, imploramos para vê-los, toda a família”, disse emocionada durante o programa “Good Morning America”, da ABC News.

Ela disse que há 20 anos não tinha uma relação de irmã com Louise Turpin. Segundo Flores, elas se falavam pouco por telefone e às vezes as ligações tinham um intervalo de um ano. Há dois anos a irmã cortou o contato com ela. “Fiquei chocada, fiquei arrasada”, disse a tia sobre quando soube da notícia.

Elizabeth Flores, tia dos 13 irmãos mantidos presos pelos pais em casa na Califórnia (Foto Reprodução-Facebook-Elizabeth Flores)

Flores disse que na época em que estava na faculdade morou por alguns meses com a irmã e o marido, que já tinham alguns filhos. “Eu achava que eles eram muito rígidos, mas não vi nenhum tipo de abuso. Mas agora que sou adulta, olho para trás, vejo coisas que na época não via”, afirmou.

Segundo Flores, ela era tratada como um dos filhos do casal e tinha que seguir regras rígidas. Ela também disse que tece “experiências desconfortáveis” com o cunhado. “Se eu estava no chuveiro, ele iria lá para me ver, e era como uma brincadeira. Ele nunca me tocou”, disse.

'Muito magros'

Outra irmã de Louise Anna Turpin, Teresa Robinette, disse à imprensa americana que às vezes tinha contato com Louise e que manifestou procupação pela saúde dos sobrinhos.

"Eu sempre fazia comentários a ela, quando eu falava com ela, 'Deus, eles estão tão magros'. E ela ria: 'Bom, David é tão alto e magro. Eles vão ficar igual a ele'", disse Robinette à NBC News.

Robinette disse ainda que os sobrinhos eram proibidos de assistir TV e de levar amigos para a casa. "Ficamos tão machucados, chocados, bravos e desapontados como todo mundo", disse.

Nos EUA, irmã da mulher que mantinha filhos em cativeiro diz que está chocada.

Investigação

Os serviços de defesa da infância abriram uma investigação sobre o caso. Segunso as autoridades, o casal deve comparecer a uma audiência nesta quinta-feira.
As autoridades fixaram uma fiança de US$ 9 milhões para os pais, denunciados por tortura, cárcere privado e por colocar os filhos em risco.

Interrogados pela polícia, os pais não puderam "dar qualquer explicação razoável sobre por que motivo mantinham os filhos acorrentados".

Fonte: g1.globo.com

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