Publicado em 18/01/2018 as 4:00pm

Milhares de mulheres protestam na Polônia para defender direito ao aborto

Projeto de lei aceito no Parlamento busca proibir aborto em casos de má formação do feto.

Milhares de mulheres protestam na Polônia para defender direito ao aborto Mulheres protestam nesta quarta-feira (17) contra projeto de lei que quer restringir o aborto na Polônia (Foto Kacper Pempel-Reuters)

Milhares de mulheres protestam nesta quarta-feira (17) em 50 cidades da Polônia contra a nova tentativa do Lei e Justiça, partido conservador e nacionalista que governa o país, de endurecer a legislação sobre o aborto.

A maior parte das manifestantes se vestam de preto, como já fizeram em outubro de 2016, quando vários protestos obrigaram o Lei e Justiça a voltar atrás em um projeto de restringir o acesso ao aborto, apesar de o partido contar com maioria absoluta no parlamento.

O estopim das manifestações foi o projeto de lei para limitar o aborto voluntário que foi aceito pelo parlamento no último dia 10. Uma comissão parlamentar está revisando a proposta, uma iniciativa do grupo Stop Aborcja, que busca proibir a prática em casos em que o feto apresente má formação ou doenças irreversíveis.

O líder do Lei e Justiça, Jaroslaw Kaczynski, já defendeu em repetidas ocasiões a proibição do aborto eugênico, quando a gravidez é interrompida por motivos referentes à qualidade de vida do bebê.

Legislação restritiva

A Polônia possui uma das legislações mais restritivas sobre o aborto na Europa. A atual lei, de 1993, só permite o aborto quando a saúde ou a vida da mãe estão em perigo, em casos de estupro ou incesto, ou se o feto sofre de má formação ou doença irreversível.

No último dia 10 de janeiro, o parlamento decidiu não aceitar uma proposta dos cidadãos para legalizar o aborto, permitindo a interrupção da gravidez dentro dos primeiros meses de gestação em casos nos quais a mãe justifique danos psicológicos ou condições sociais adversas para ter o bebê.

A votação abriu uma divisão no principal partido de oposição, a Plataforma-Cidadã, de centro-direita, que expulsou três deputados que votaram contra a iniciativa popular para ampliar o acesso ao aborto.

Fonte: Por Agencia EFE

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