Publicado em 22/03/2018 as 3:00pm

Trump alega interesses estratégicos para justificar ligação para Putin

Segundo jornal americano, conversa entre líderes aconteceu apesar de assessores terem advertido presidente dos EUA para não parabenizar russo.

Trump alega interesses estratégicos para justificar ligação para Putin O presidente dos EUA, Donald Trump, durante evento na Casa Branca na quinta-feira (8) (Foto Reuters-Leah Millis)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta quarta-feira (20) que ligou para o presidente da Rússia, Vladimir Putin, para parabenizá-lo pela vitória nas eleições do último domingo por motivos estratégicos, criticando a imprensa por questionar sua relação com o Kremlin.

Segundo o jornal "The Washington Post", Trump parabenizou Putin contrariando explicitamente as advertências de seus conselheiros, que chegaram a lhe entegar uma nota que dizia em letras garrafais: "NÃO FELICITAR".

O vazamento do desencontro de opiniões entre assessores e presidente causou mal-estar entre os funcionários do alto escalão da Casa Branca. A sede do Executivo americano tem vivido meses de tensão, explicitados pelas demissões recentes em sua cúpula.

"Liguei para o presidente Putin da Rússia para parabenizá-lo por sua vitória eleitoral (no passado, Obama também ligou). Os 'fake news' estão enlouquecidos porque queriam que eu o censurasse. Estão equivocados! Se dar bem com a Rússia (e outros) é algo bom, não é algo ruim", disse o republicano no Twitter.

"[Eles] podem ajudar a resolver problemas com a Coreia do Norte, Síria, Ucrânia, Estado Islâmico e Irã, inclusive a próxima corrida armamentista", continuou Trump na rede social.

Trump também afirmou que o ex-presidente George W. Bush (2001-2009) tentou se dar bem com o Kremlin, mas não teve "inteligência suficiente" para ter sucesso na tarefa.

"[Barack] Obama e [Hillary] Clinton também tentaram, mas não tinham energia nem química. PAZ ATRAVÉS DA FORÇA!", escreveu Trump sobre a tentativa de Obama de se aproximar da Rússia no começo de seu mandato, com Hillary no comando do Departamento de Estado.

Em meio à investigação sobre a possível interferência da Rússia nas eleições presidenciais de 2016 e a possível coordenação do Kremlin com a campanha de Trump para prejudicar Hillary, a ligação do presidente para Putin recebeu várias críticas.

A porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders, disse na terça-feira que a ligação não teve nenhuma relação com a investigação e ressaltou que os EUA não "operam em outros países".

"O que sabemos é que Putin foi eleito no seu país, e isso é algo que não podemos ditar a eles, como eles operam. Só podemos focar na liberdade e na imparcialidade das nossas eleições", afirmou.

Fonte: g1.globo.com

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