Publicado em 15/05/2018 as 6:00pm

Acusada de bruxaria, mulher morre após ser torturada em Papua Nova Guiné

Outras duas mulheres ficaram feridas. Elas foram acusadas de matar um homem por meio de bruxaria.

Acusada de bruxaria, mulher morre após ser torturada em Papua Nova Guiné Multidão perseguiu as três mulheres e as torturou em um povoado perto da cidade de Mendi.

Uma mulher morreu e outras duas ficaram gravemente feridas após serem torturadas pelos moradores da remota aldeia de Kewabi, em Papua Nova Guiné, informou nesta terça-feira (15) a imprensa local.

As três mulheres, de entre 30 e 40 anos, foram amarradas e colocadas sobre uma lâmina de alumínio ardente na última sexta-feira (11) em Kewabi, na cordilheira central do país, após serem acusadas de matar um vizinho por meio da bruxaria.

Uma testemunha indicou que as mulheres foram torturadas durante um interrogatório pelo suposto assassinato e que a polícia não interviu para impedir o justiçamento, segundo a emissora "Radio New Zealand".

As três mulheres foram levadas posteriormente a um hospital de Mendi, capital da província de Southern Highlands.

A Papua Nova Guiné possui um território montanhoso que dificulta a conexão entre os 7,5 milhões de moradores e onde as crenças sobre a magia negra estão muito arraigadas.

Casos de bruxaria

Nos últimos seis meses foram registrados pelo menos 27 casos relacionados com casos de bruxaria ou "sanguma", segundo a denominação local, muitos deles fatais e com vítimas cada vez mais jovens.

A Papua revogou em 2013 a Lei de Bruxaria vigente desde 1971, que proibia praticar "magia negra ou feitiços para causar dano" e permitia executar as pessoas acusadas de bruxaria, apesar destas acusações serem difíceis de provar.

O parlamento local aprovou nesse ano várias emendas ao Código Penal para que a pena de morte seja aplicada para sancionar os assassinatos, as violações agravadas ou em grupos ou contra menores de 10 anos.

Em meados de janeiro, um tribunal declarou culpadas 97 pessoas acusadas de assassinar em 2014 outras sete, às quais consideravam autoras de supostas práticas de bruxaria.

Fonte: Por Agencia EFE