Publicado em 15/05/2018 as 1:00pm

Potências internacionais pedem moderação israelense em Gaza

Tropoas do país materam pelo menos 52 palestinos que prostestacam contra transferência da embaixada dos EUA de Tel Aviv para Jerusalém.

Potências internacionais pedem moderação israelense em Gaza (Foto: Ibraheem Abu Mustafa - Reuters)

Alemanha, França, Turquia e outros países condenaram nesta segunda-feira (14) o uso de munição real por Israel durante protesto de palestinos na faixa de Gaza e pediram ao Estado judaico que exerça moderação ao lidar com os manifestantes.

Tropas israelenses mataram ao menos 52 palestinos que protestavam contra a transferência da embaixada dos EUA de Tel Aviv para Jerusalém -cidade cuja soberania disputam com Israel.

"O direito a um protesto pacífico também deve se aplicar a Gaza", afirmou uma porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Alemanha. "Israel tem o direito de se defender e assegurar suas fronteiras contra intrusões violentas, mas o princípio da proporcionalidade se aplica."

Isso significa, disse a porta-voz, que o uso de munição real só deve ocorrer quando outras formas de contenção se mostraram ineficazes e ameaças específicas estiverem presentes.

"Estamos preocupados com relatos de violência e perda de vidas em Gaza. Pedimos calma e moderação para evitar ações destrutivas para os esforços de paz", declarou um porta-voz da primeira-ministra britânica, Theresa May.

"A França mais uma vez apela às autoridades israelenses para que exercitem o discernimento e a contenção no uso da força", disse o ministro das Relações Exteriores, Jean-Yves Le Drian, destacando "o direito dos palestinos de se manifestarem pacificamente".

Paris desaprova a transferência da embaixada americana para Jerusalém, que "viola a lei internacional", declarou o chanceler.

"A França condena a violência", disse a Presidência de Emmanuel Macron, da França, em nota. "O presidente conversará com os principais atores na região [nos próximos dias]."

"Pedimos a todas as partes que ajam com a máxima moderação, a fim de evitar mais perdas de vidas humanas", afirmou a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini.

Ela lembrou a "posição clara e unida" da UE, segundo a qual a transferência das embaixadas de Tel Aviv para Jerusalém não deveria acontecer até que o status da Cidade Santa seja acertado em uma resolução de conflito.

Questionado sobre se a transferência da embaixada americana faz a Rússia temer um agravamento da situação na região, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse: "Sim, nós temos isso".

"Estamos convencidos de que não devemos reverter unilateralmente as decisões da comunidade internacional. E o destino de Jerusalém deve ser decidido pelo diálogo direto com os palestinos", disse o ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov.

"O governo da Espanha está consternado pelo elevado número de manifestantes mortos e feridos hoje na Faixa de Gaza que se somam às vítimas das manifestações das últimas semanas e faz um apelo urgente à contenção de todos os envolvidos", indicou o comunicado do Ministério das Relações Exteriores.

"Amaldiçoamos o massacre realizado pelas forças de segurança israelenses contra palestinos participando de uma manifestação pacífica", afirmou em nota o governo do premiê turco, Recep Tayyip Erdogan.

"A chocante morte de dezenas e ferimentos em centenas por disparos de Israel em Gaza devem parar imediatamente, e a comunidade internacional deve levar os responsáveis à justiça", afirmou o alto comissário da ONU para os direitos humanos, Zeid Ra'ad al Hussein. "O direito à vida deve ser respeitado."

O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse estar "particularmente preocupado" com a situação em Gaza.

A Anistia Internacional denunciou uma "violação abjeta" dos direitos humanos e "crimes de guerra" em Gaza, enquanto a Human Rights Watch (HRW) denunciou "um banho de sangue".

O Kuait pediu a realização da uma reunião na terça-feira (15) do Conselho de Segurança da ONU, sobre a violência na fronteira de Gaza.

Os EUA, por sua vez, culparam o Hamas pela violência. "A responsabilidade por essas mortes trágicas é totalmente do Hamas. O Hamas cínica e intencionalmente provocou essa reação", disse o porta-voz da Casa Branca, Raj Shah.

Fonte: noticiasaominuto.com.br (Com informações da Folhapress)