Publicado em 28/01/2015 as 12:00am

Brasileiros contam como se prepararam para enfrentar nevasca

Estudantes estocam alimentos e dizem que não sairão de casa. Aulas foram suspensas e foi declarado estado de emergência.

De New York - O brasileiro Tomas Kepple Borba, de 21 anos, diz ter ficado mais preocupado com a nevasca que atinge a Costa Leste dos EUA após a declaração do estado de emergência no estado de Nova York. Estudante de engenharia no New York Institute of Technology, ele chegou aos Estados Unidos em agosto do ano passado. “Durante a semana passada, só sabíamos que faria um pouco mais de frio no início dessa semana”, explica. Mas, depois das declarações do prefeito de NY, Bill de Blasio, ele diz que começou a se preocupar.

“A previsão começou com uns 30 cm de neve, e chegou a mais de um metro. No domingo, eu e outros brasileiros fomos ao supermercado para comprar comidas de fácil preparo para ter em casa, já que muito provavelmente não vamos poder sair de casa para almoçar no refeitório da universidade. Os supermercados estavam bem cheios, e alguns itens como pão e água já estavam em falta. Os funcionários da universidade disseram que terça-feira provavelmente seria impossível sair de casa para qualquer coisa”, diz.

Na segunda, ele foi informado de que as aulas estarão suspensas até, ao menos, quarta-feira. “De manhã estava caindo uma neve leve, porém ao fazer meu trajeto de metrô normal, já notei que havia bem menos pessoas. Ao voltar da universidade, às 14h, já estava nevando de forma mais intensa e pesada. Quando passei em frente a um supermercado famoso da cidade, havia uma fila virando o quarteirão para entrar! E note que isso era debaixo de neve pesada já”, conta.

O estudante diz ter se preocupado ainda mais depois da declaração do estado de emergência, no começo da tarde. Além disso, ficou impressionado com uma informação transmitida já no início da noite. “Anunciaram que o metrô de NYC, que é conhecido por ser 24 horas, vai parar completamente hoje à noite, em uma das únicas vezes da história”, explica.


Tranquila
“O que a gente viu na TV assustou um pouco, mas por tudo ficou bem tranquilo”, diz Juliana Kagami, de 22 anos. A brasileira estuda economia e estudos de culturas internacionais na St. Francis College, em Nova York, onde mora há um ano e meio, e não parecia muito preocupada com a previsão de uma nevasca histórica que atingiria a região nas horas seguintes.

Segundo a estudante, os nova iorquinos levaram alertas bastante a sério, por precaução, mas as pessoas não pareciam muito assustadas. Ela mora no Brooklyn, onde também fica a universidade onde estuda, e contou que, por volta das 20h (23h em Brasília) de segunda-feira, ainda era possível ver alguns carros circulando e gente nas ruas. Naquela região, o tráfego não seria interrompido a partir das 23h, como em Manhattan. “E ainda nem nevou muito, deve ter uns cinco centímetros de neve acumulada agora”, explicou.

Atendendo às recomendações das autoridades, ela comprou um pequeno estoque de alimentos e velas, para o caso de falta de energia, e pretende passar a terça-feira inteira em casa, assim como os três amigos com quem divide um apartamento. Sua universidade suspendeu as aulas às 14h de segunda e só tem previsão de voltar a funcionar na quarta de manhã. Ela também foi liberada do trabalho e diz que escolas e lojas estarão fechadas durante toda a terça.

“Antes de vir para Nova York eu morei no estado do Missouri, onde tem bastante tornados. Muitas vezes tive que me abrigar no porão, embora nenhum tenha realmente atingido a região onde eu morava”, disse a brasileira, revelando que, por isso, não considera exatamente uma novidade ter que passar um tempo “trancada” em casa para fugir do clima.

Fonte: Da Redação