Publicado em 4/03/2012 as 12:00am

Brasileiro deportado que matou os pais, tentou suicídio

Enquanto esfaqueava o pai, suspeito teria dito que se sentia abandonado. Tese defendida pela polícia é de que o crime foi premeditado.

O filho do bispo da Igreja Episcopal Anglicana, dom Edward Robinson Cavalcanti e de Mirian Cavalcanti, suspeito de ter assassinado o casal, em Olinda, no dia 26, não prestou depoimento na quinta-feira (1º), possibilidade que tinha sido levantada pelos investigadores, durante coletiva nesta manhã. O rapaz, que está internado desde o dia do crime, apresentou melhoras no quadro clínico e será ouvido pela polícia assim que for liberado pelos médicos.

Seis testemunhas já foram ouvidas, entre elas pessoas que conheciam a família há mais de 30 anos. A polícia deve ouvir os parentes das vítimas nos próximos dias, com a expectativa de concluir o inquérito dentro do prazo legal de dez dias.

O gestor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, delegado Joselito Kehrle, deu detalhes do avanço das investigações. "Esses depoimentos foram muito relevantes para a investigação porque trazem ou começam a delinear a motivação do crime. [...] Temos depoimentos de pessoas que afirmam tê-lo visto cometendo o crime. O pai, enquanto estava sendo esfaqueado, teria perguntado o porquê daquilo e ele teria dito que era devido ao abandono. Uma das testemunhas menciona que ele se sentia abandonado durante esses 13 anos que viveu nos Estados Unidos", explica o delegado.

Os depoimentos, segundo Joselito, mostram um jovem com dificuldades de aceitar sua condição de filho adotivo. "Aos 12 anos, em um discussão na rua, ele descobriu que era adotado. Depois dessa discussão, ele voltou para casa, discutiu e agrediu a mãe. Ele não aceitou a condição e mudou completamente o comportamento, começando a se comportar com rebeldia e agressividade. Possivelmente, essas ações fizeram os pais enviá-lo para os EUA", acredita.

A tese defendida pela polícia é de que o crime foi premeditado. "Ao chegar ao Brasil, ele teria dito que queria obter uma arma. Isso nos faz pensar em premeditação. Além disso, ele começou a amolar essa faca no domingo à tarde, as testemunhas perceberam ele muito angustiado, andando de um lado para o outro", esclarece o delegado. O possível consumo de drogas por parte do suspeito também foi um dos pontos que surgiu durante os depoimentos. "Há indícios, pelos depoimentos, de que ele era usuário de drogas e anfetaminas", aponta. A perícia do pó branco encontrado no quarto do jovem ainda não foi concluída.

A polícia suspeita também do envolvimento do rapaz com uma gangue de imigrantes nos Estados Unidos. "Ele teria dito que tinha envolvimento com a Mara Salva Truxa, uma gangue formada por imigrantes de El Salvador, nos Estados Unidos. Ele tem tatuagens pelo corpo muito semelhantes aos integrantes dessa gangue, que é conhecida pela violência e agressividade", explica Kherle, lembrando que já foi pedido ao consulado americano informações sobre esse assunto e os possíveis crimes que o jovem teria cometido nos Estados Unidos.

Apesar dos depoimentos de amigos e vizinhos terem sido esclarecedores, o delegado ressalta a importância de que o suspeito seja ouvido. "Os depoimentos são de impressões subjetivas das pessoas, precisamos falar com ele para saber o que de fato o motivou", defende Kherle.

Fonte: (DA REDAÇÃO)