Publicado em 2/01/2015 as 12:00am

Família acusa polícia de Framingham de esconder brasileiro

O jovem estaria em coma depois de ser agredido por um policial e funcionários do hospital disseram que não podiam dar informações, denuncia o tio de Raphael

Na madrugada do dia 25 de dezembro, o Departamento de Polícia de Framingham (Massachusetts) relatou a prisão do jovem Raphael R. Pitaluga, 19 anos. Ele nasceu na cidade, mas é filho de brasileiros de Anápolis (Goiás). Segundo o boletim de ocorrência, o rapaz teria fugido após avistar uma viatura policial.

No boletim consta, ainda, que por volta das 3:45 a.m. o rapaz estaria dirigindo, em alta velocidade, um Nissan Maxima e o som acima do permitido. Quando o policial pediu para que ele parasse, Raphael continuou dirigindo e a perseguição continuou até que o veículo parou na Beaver Street.

Segundo o policial, Raphael saiu correndo do carro e tentou fugir, mas o oficial solicitou reforços e começaram a perseguir o rapaz, saltando por vários muros e passando por um riacho, próximo ao Brookside Apartments. O jovem ficou encurralado na Beaver Street e, conforme os relatos policiais, ele teria erguido os punhos para lutar.

Foi neste momento que um dos oficiais disparou com um Taser (arma de choque), que segundo o relatório, não surtiu efeito. Para conter o ímpeto, os policiais entraram em luta corporal com o rapaz, derrubando-o no chão e o algemando. O jovem disse que tinha dificuldades para respirar e foi levado para o centro Metrowest Medical Center, em Framingham.

Ainda segundo o boletim de ocorrência, o jovem ficou internado até sexta, quando foi notificado de seu indiciamento no quarto de hospital onde estava. Ele foi acusado de agressão com arma perigosa, não obedecer a ordem policial para parar, dirigir com carteira suspensa, conduta desordeira, perturbação do sossego e conduta imprudente. Ele também foi indicado por dirigir com excesso de velocidade.

Mas segundo a família do rapaz e populares que presenciaram o fato, não foi isso que aconteceu. Wagner, o tio do rapaz, disse que Raphael passou o dia 24 de dezembro com a família, em sua casa, na cidade de Framingham (Massachusetts). “Na madrugada do dia 25, por volta das 3:15, ele foi embora acompanhado de sua namorada. O jovem queria levar dois amigos para continuar a festa em seu apartamento, mas ela não aceitou e os dois iniciaram uma discussão”, conta.

Devido a discussão, uma pessoa chamou a polícia e quando Raphael viu os policiais, fugiu com medo, pois já tinha uma “probation” por dirigir sem carteira. Wagner conta que o sobrinho correu, mas logo foi interceptado pelos policiais e quando ele estava no chão levou o tiro de choque. “É impossível uma arma destas não parar um jovem de 64 quilos se ela é preparada para derrubar um homem de 113 quilos”, afirma.

O tio ressalta que depois que Raphael caiu no chão, um policial pisou em seu pescoço e outro o chutou. Por isso ele reclamou que não conseguia respirar. “Os policiais retiraram meu sobrinho do local sem permitir que ninguém o visse, como se estivessem escondendo algo”, afirma.

Na manhã seguinte, a irmã de Raphael foi ao Departamento de Polícia para saber notícias dele, mas foi informada de não havia registros com o nome dele. “O policial disse para ela voltar no dia seguinte e quando ela retornou foi informada de que o irmão estava preso, mas não podia ter contato com ninguém e que na sexta, dia 26, teria uma audiência”, fala Wagner.

A irmã perguntou se tinha alguma fiança estipulada e um policial disse que o valor era de US$10 mil. “Achei alto demais, pois ele não cometeu nenhum crime”, denuncia o tio ressaltando que familiares foram à corte no dia marcado e ficaram por horas esperando, mas o rapaz não apareceu para a audiência. “Foi então que pedimos para vê-lo, pois alguém nos informou de que ele estaria no andar de baixo. Mas fomos impedidos sob a alegação de que Raphael estaria com problemas de saúde”, explicou.

Um irmão desconfiou da história e foi ao hospital saber mais informações. Quando chegar ao local, um funcionário disse que o rapaz estava em coma, no segundo andar (CTI - Centro de Tratamento e Terapia Intensiva). “Não entendemos porque a polícia e o hospital mentiram, pois na primeira vez, ambos disseram que não havia registros em nome de Raphael”, se revolta Wagner.

As portas de acesso ao andar onde estava Raphael são abertas com cartões de funcionários e o irmão ficou aguardando até que alguém abrir. Quando um médico passou, o irmão entrou atrás e ficou procurando em todos os quartos, até que viu o rapaz deitado em um leito, com o pescoço protegido por um tipo de armação, e vários ferros em sua boca. “Neste momento, um policial o tirou para fora, com força e disse que ele não podia estar ali e também não tinha mais informações sobre o quadro clinico do jovem”, continua.

A família começou a ficar preocupada, pois não tem informações e não sabe porque a polícia está escondendo o jovem. “Acreditamos que seja porque eles bateram muito nele e estão esperando que os hematomas desapareçam”, afirma. “Um funcionário do hospital disse que um policial pediu para que nenhum tipo de informação fosse dada sobre Raphael”, acrescenta.

Na noite de sexta-feira (16), um parente do rapaz foi ao hospital e gravou uma conversa com um funcionário que teria dito que o rapaz iria ficar bem “mas não podia falar mais nada”. Depois que o irmão viu o rapaz no quarto, Raphael foi transferido para o quarto andar e desta vez, quatro policiais guardavam a porta.

No início desta semana, os familiares contrataram um advogado conseguir informações sobre o rapaz. Até o momento, não há atualizações sobre o caso.

Fonte: da Redação

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