Publicado em 6/05/2015 as 12:00am

Brasileira que teve garganta cortada conta todos os detalhes do drama que está vivendo

Rosangela está se recuperando em local protegido e aguarda para retornar ao Brasil para reencontrar seus filhos

“Só estou viva porque Deus me ama e está o tempo todo do meu lado”. É com esta frase que a brasileira Rosangela (ela prefere não divulgar seu sobrenome) resume o momento que está vivendo após ter sido vítima de tentativa de homicídio. No último dia 19 de abril, ela teve o pescoço cortado com estilete por seu ex-marido, Amado Rodriguez, 48 anos, que já está preso na Filadélfia.

Conforme anunciado pelo Brazilian Times na edição do dia 1º de maio, ela falou com exclusividade com a equipe do jornal, em Connecticut, onde está numa casa de proteção para se recuperar.

Rosangela tem 43 anos, mora nos Estados Unidos desde 2008, quando chegou em New Jersey na casa de sua irmã. No entanto, depois se mudou para Connecticut, onde trabalhou em serviços de limpeza e restaurante, mas nos últimos anos cuidava de um idoso com deficiência visual. No Brasil, ela tem três filhos que cursam faculdade e também tem um neto.

A brasileira vive nos EUA de forma totalmente legalizada e trabalhava normalmente até sofre um ataque do ex-marido.

Veja os principais trechos da entrevista:


Relação conturbada

Rosangela, que tem 43 anos e mora nos Estados Unidos desde 2008, conheceu Amado Rodriguez no ano passado, o namorou por seis meses e se casaram em setembro. Ela conta que ele era um homem agradável, carinhoso, educado e que cozinhava para ela e a tratava bem. No entanto, três dias após o casamento o comportamento dele mudou e os problemas começaram. Mesmo com os problemas, ela ressalta que não houve traição de nenhuma das partes, muito menos falta de amor entre eles.

Em fevereiro deste ano eles tiveram uma discussão grande, segundo ela sem motivo, e ele a agrediu deixando-a com o rosto roxo. Foi então que ela resolveu romper de vez o casamento e nunca mais falar com ele.

Rosangela diz que chegou ir à polícia e que foi orientada a pedir ao juiz uma ordem para que ele ficasse afastado dela por, no mínimo, 100 pés de distância. “Mas eu sabia que isso não resolveria nada e também achei que ele fosse suficientemente inteligente para saber que se tocasse em mim novamente teria problemas”, lembra.

Ela achou que nunca mais o veria, mas no dia 19 de abril foi surpreendida na casa onde trabalhava.


Duplo ataque

Rosangela trabalha há cinco anos para um idoso com deficiência visual em Milford (Connecticut). Ela cuidava dele em tempo integral e por isso morava no local. No dia 19 de abril, ela conta que por volta das 7:30 estava deitada assistindo a TV e ouviu um barulho. De repente, Amado abriu a porta, vestido de preto, e atacou o idoso na sala. Em seguida, ele foi para cima dela com um estilete e cortou seu pescoço. O idoso começou a gritar e Rosangela conseguiu ligar para a emergência. “Comecei a sangrar demais, ardia muito e minha respiração ficou pesada e lenta. Eu senti um frio, eu senti que ia morrer”.

A ambulância chegou rapidamente, prestou os primeiros socorros e levou Rosangela e o idoso para o hospital. No caminho, ela recebeu grandes doses de morfina. “Eu pensava: Se eu morrer como vão ficar meus filhos? Eu voltaria para o Brasil num caixão?”


Sofrimento no hospital

No hospital, Rosangela foi prontamente recebida por uma equipe médica e passou por uma cirurgia com quase 3 horas de duração. “Tive uma grande hemorragia e sei que escapei por pouco. Além da dor física eu também chorava e sentia muito por meu patrão, pois ele não tinha nada a ver com a situação e também acabou sendo machucado, embora os cortes dele não tenham sido tão graves”, relembra a brasileira.

Ela se recorda que antes da ambulância chegar ela acalmava o idoso dizendo que tudo iria ficar bem, pois nunca se deixa um amigo para trás em circunstância alguma. “Quando você percebe que pode morrer sente um medo muito grande, mas depois vai passando. Eu senti um frio enorme por dentro, mas depois veio a calma e senti a presença de Deus o tempo todo. Foi por causa Dele que eu não morri”.

Rosangela diz que nunca havia sentido uma dor tão intensa em toda a sua vida. Para ela, um minuto parecia durar uma hora.

No dia seguinte da cirurgia ela disse que uma das médicas que a atendia olhou para ela e disse: “Deus te ama! Nunca vi ninguém sobreviver a um corte como este”.


Sob proteção

Em recuperação, Rosangela agora está sob proteção numa instituição que abriga mulheres vítimas de violência doméstica. O caso dela é um dos mais graves, pois ela esteve entre a vida e a morte. Nesta casa de proteção máxima Rosangela recebe toda assistência que precisa, desde alimentação a objetos de higiene pessoal, além de alguns remédios usados em seu tratamento.

O corte em seu pescoço começou a cicatrizar, mas ela ainda sofre fortes dores, pois nervos importantes foram lesionados, o que estende a dor para os ombros e braços. Toda vez que precisa sair do local, ela é escoltada, pois teme retaliações por parte do ex-marido. “Ele está preso e provavelmente vai ficar o resto da vida na cadeia, mas tenho medo porque ele tem muitos amigos do mesmo tipo dele e pode mandar que venham atrás de mim para me matar”, diz a brasileira.


Mensagem para homens e mulheres

Rosangela aproveita a entrevista concedida ao Brazilian Times para deixar um recado para homens e mulheres. “Temos de tomar muito cuidado. Não é porque estamos sozinhos e carentes que já vamos ficando e confiando na pessoa logo de início. Eu resolvi dar uma oportunidade a um relacionamento, mas isso quase custou minha vida. Peço aos homens que respeitem mais suas mulheres. E digo que se não está dando certo é melhor se separar, pois tudo começa com um tapinha e depois evolui para agressões pode terminar em tragédia. Se for preciso, procurem terapia, mas não aceitem violência”.

Em vários momentos da entrevista Rosangela se emocionou e foi às lágrimas. “Sinto uma tristeza muito grande porque isso tudo aconteceu, mas graças a Deus e à polícia estou viva. Não sei a razão pela qual tudo isso aconteceu, mas eu sobrevivi”.


Planos para o futuro

Assim que estiver recuperada, Rosangela pretende voltar para o Brasil para reencontrar os filhos. Ela conta que tem falado com eles todos os dias e tem recebido muito apoio. “Eles queriam vir até aqui porque acreditavam que poderiam ajudar a polícia a achar meu ex-marido. Mas agora ele já foi encontrado e eu estou me recuperando”.

Ela diz que vai para o Brasil porque sente que corre riscos ficando nos EUA. “Vou deixar meu contato para as autoridades e quando eu precisar voltar basta eles me avisarem com 15 dias de antecedência”.

A brasileira conta que esta semana reencontrou seu ex-patrão e ficou muito sentida por ele ainda estar todo roxo por causa da agressão. “Se ele não tivesse gritado por socorro provavelmente eu teria sido morta”.

Fonte: Da Redação do Brazilian Times | Reportagem de Fabiano Ferreira