Publicado em 27/05/2015 as 12:00am

Sann Rodrigues é acusado de fraude para conseguir GreenCard

Com o nome sempre envolto em polêmicas, o brasileiro Sanderley Rodrigues mais uma vez é assunto na mídia brasileira e norte-americana.

Com o nome sempre envolto em polêmicas, o brasileiro Sanderley Rodrigues mais uma vez é assunto na mídia brasileira e norte-americana. No dia 16, ele foi preso por agentes do Departamento de Imigração quando desembarcou no Aeroporto Newark Liberty International, na cidade de Newark (New Jersey). Ele ficou conhecido por promover empresas de multinível e se envolver no esquema de pirâmide que prejudicou milhões de pessoas em todo o mundo, a Telexfree.

As autoridades informaram que a prisão de Sann, como é popularmente chamado na comunidade, foi em razão de haver suspeitas de que ele forjou informações para conseguir o Green Card e se tornar legal nos Estados Unidos. A ordem para prendê-lo foi emitida no dia 7, assim quem o brasileiro viajou para Israel. Quando ele retornou, os agentes o aguardavam no aeroporto para efetuar a prisão. Depois de detido, Sann foi levado para o Centro Correcional do Condado de Essex.

Segundo um comunicado, as autoridades suspeitam que ele mentiu durante o processo de legalização. Sann conseguiu o Green Card em 2012, mas ele teria vivido ilegalmente nos EUA entre os anos de 2003 a 2006. Em 2009, quando recebeu um Visto de Turista, o brasileiro mentiu durante a entrevista dizendo que nunca tinha cometido qualquer infração no país. Ele teria ficado ilegal durante três anos e para as autoridades isso é uma infração.

Outro ponto que pesa sobre ele é que para as autoridades dos EUA, mentir durante um processo para receber a residência permanente é considerado um crime grave, passível de prisão, multa e até anulação do processo.

No mesmo dia da prisão de Sann, as autoridades americanas e brasileiras responsáveis em aplicar leis de imigração se reuniram em Washington DC, mas não ficou claro se as conversações e a prisão eram uma coincidência.


TELEXFREE

Sann Rodrigues é um dos oito nomes apontados pela Securitiesand Exchange Commission como responsáveis pela Telexfree, um esquema fraudulento que movimentou mais de um bilhão de dólares. Os diretores da empresa, James Merrill e o brasileiro Carlos Wanzeler foram acusados ​​criminalmente.


Procurado no Brasil

Segundo informações que sites e jornais brasileiros divulgaram assim que a prisão de Sann chegou à mídia, ele havia sido proibido de deixar o Brasil. No início do ano, o Brazilian Times noticiou a prisão do brasileiro, que aconteceu na cidade de Paulínia (São Paulo), sob a acusação de que a iFreex também é um esquema de pirâmide como a Telexfree.

Na época, Sann se defendeu e disse que tudo não passou de um mal entendido. Mas conforme as notícias veiculadas no Brasil, ele foi proibido de sair do país, dia 5 de fevereiro, pela Justiça Federal do Espírito Santos. Ele desobedeceu esta ordem ao retornar para os EUA no dia 20 de fevereiro.

O jornal Gazeta do Povo afirmou que Sann é considerado foragido da Justiça Brasileira e era investigado pela Polícia Federal do Espírito Santo. “Há suspeitas de que a prisão dele em Newark tenha foi motivada por um pedido da PF do Brasil para impedir que ele continue administrando esquemas de pirâmide”, disse o jornal.

Nesta reunião, os agentes “discutiram o compromisso conjunto para continuar compartilhando informações e realizando investigações sobre a exploração infantil, fraude financeira e tráfico de seres humanos, além de outros temas”.


Agente especial responde

O agente especial Paul Melican falou um pouco sobre o caso e como foi a detenção de Sann Rodrigues:

Como uma pessoa pode se tornar legal nos EUA?

Os estrangeiros (definidos como "aliens" sob a lei de imigração) que desejam viver e trabalhar nos Estados Unidos permanentemente devem obter a permissão do Departamento de Imigração, o US CitizenshipandImmigration Services(USCIS) e do Departamento de Estado.

Existe uma variedade de maneiras em que os imigrantes podem obter o “status” de residente permanente legal, comumente chamado de "greencard". A maioria dos estrangeiros obtém este documento através do patrocínio de um membro da família ou de um empregador. Se o imigrante está presente nos Estados Unidos, quando ele procurar pelo “status”, tanto o patrocinador como o imigrante são obrigados a apresentar certas formas ou aplicações com USCIS.


No caso de Sann Rodrigues, o que pesa sobre ele?

No Título 18 da Constituição dos Estados Unidos, seção 1546 (a), intitulada de “Fraude e mau uso de vistos, autorização e outros documentos”, torna crime o ato de qualquer pessoa que tenha conseguido o documento através de declaração ou informação fraudulenta.


Sabe algo sobre o caso de Sann Rodrigues?

De acordo com o Departamento de Segurança Interna (DHS, sigla em inglês), Rodrigues primeiro chamou a atenção do governo dos Estados Unidos em 2006, quando a SEC o acionou por violação dos Valores Mobiliários e Câmbio. Ele abriu e operou a Universo FoneClub, um esquema de pirâmide que prejudicou investidores desavisados em milhões de dólares. Rodrigues reside nos Estados Unidos desde 2003, e tem registros da aplicação do seu “incometax” nos anos de 2003 a 2005, mas eu chequei e não encontrei qualquer registro de entrada legal dele no país, entre 2003 e 2006. Com base nestas informações, tenho razões para acreditar que Rodrigues entrou ilegalmente nos Estados Unidos durante esse período.


Como conseguir um Visto de Turista?

Uma das condições para a obtenção do Visto de Turista é que o aplicante não tenha residindo ilegalmente nos Estados Unidos por mais de um ano. Se ultrapassar este período, o candidato está impedido de conseguir a autorização por pelo menos 10 anos. Eu obtive uma cópia do pedido de Visto de Rodrigues, feito em junho de 2009 e parece que ele fez uma série de falsas declarações. A pergunta de número 9 pede que país o aplicante visitou nos últimos dez anos e o brasileiro respondeu Brasil, Espanha, Itália, França, Alemanha, Áustria e Suíça.

Esta afirmação se torna falsa, pois ele não citou que morou nos Estados Unidos entre 2003 e 2006, quando foi acionado pelo SEC no processo da FoneClub, no dia 31 de agosto de 2006.

Outra informação falsa está na pergunta 29, que indaga se o candidato já esteve nos Estados Unidos. Rodrigues respondeu que não.


Porque ele mentiu em sua aplicação?

A maior parte das suas respostas foi verdadeira, mas ele omitiu que morou ilegalmente nos Estados Unidos entre 2003 a 2006. Certamente ele fez isso porque sabia que a resposta o tornaria reprovado na obtenção do Visto de Turista.


Mas o problema é só a obtenção do Visto de Turista?

Não. As fraudes de Rodrigues continuam, pois um visto de turista não permite que o titular trabalhe legalmente nos EUA. No entanto, após entrar como turista no país em 2009, Rodrigues deu uma entrevista a uma mídia brasileira chamada Globo News, onde afirmou que tinha aberto uma empresa na cidade de Malden (Massachusetts).

Esta empresa foi a VICSS, que segundo os registros foi estabelecida como empresa pelo estado de Massachusetts no ano de 2010. Em abril deste mesmo ano, a empresa patrocinou a aplicação para que Rodrigues deixasse de ser um imigrante e alterasse o seu status de turista. Nos documentos desta companhia, lista que o presidente era Aguiar de Freitas, o qual assinou como patrocinador para a petição de Green Card de Rodrigues, em abril de 2011. A aplicação de Rodrigues foi finalmente aceita, e o Green Card foi emitido dia 22 de março de 2012. Mais uma vez ele mentiu, pois para a obtenção deste documento tem a pergunta “Alguma vez você, dentro ou fora dos Estados Unidos, cometeu conscientemente qualquer crime envolvendo torpeza moral ou uma infracção relacionada com drogas?”. Rodrigues respondeu a essa pergunta “não”. Essa resposta constituiu uma declaração falsa, porque ele cometeu um crime envolvendo torpeza moral, a saber: fraude de visto, quando em 2009, sobre o seu pedido de visto de turista, falsamente afirmou que nunca tinha estado nos Estados Unidos anteriormente à aplicação.


O “Al Capone brasileiro”

Segundo o DHS, a prisão de Rodrigues não tem nada a ver comas acusações de envolvimento nas Telefreex, pois até agora a investigação não conseguiu um vínculo que apontasse o brasileiro como uma das cabeças do esquema. Mas esta detenção e o rumo das investigações se assemelham à prisão do mafioso Al Capone, quando a justiça americana não conseguiu ligá-los aos crimes para prendê-lo.

Como tudo que os investigadores faziam eram em vão, a justiça decidiu partir para outro lado e vasculharam a vida do mafioso até que encontraram sonegação de imposto e foi aí que conseguiram prender e condená-lo.

Da mesma forma parece ter acontecido com Rodrigues, pois como a SEC não conseguiu indiciá-lo criminalmente, os investigadores vasculharam a vida dele até encontrar um erro e foram as respostas “mentirosas” em sua aplicação para o visto de turista e posteriormente para a obtenção do Green Card.

O agende especial Paul Melican disse que a prisão por fraudar o visto não tem vínculo com o esquema da Telexfree, “mas ele aposta qualquer coisa que tem um interessado no assunto por traz disso”. Por isso a comparação com a história de Al Capone. “Se não vai ser julgado de um jeito, vai de outro”.


Pagou fiança

No dia 18, ele compareceu a uma audiência onde ouviu as acusações e as condições para responder o processo em liberdade. Rodrigues foi solto depois de pagar um bond (tipo de fiança condicional) no valor de US$ 200 mil. Ele também foi obrigado a entregar o seu passaporte e o de toda a sua família.

Rodrigues está em sua casa, usando uma tornozeleira eletrônica e será monitorado 24 horas por dia. Caso ele venha ser condenado pela acusação de fraude, poderá pegar até 10 anos de cadeia, três anos de liberdade condicional monitorada, uma multa de US$250 mil. As autoridades não comentaram a possibilidade dele perder o Green Card, que segundo a acusação foi ganho através de informações fraudulentas.

Fonte: Da Redação