Publicado em 19/11/2014 as 12:00am

Deputados participam de reunião no Consulado em Boston

O motivo deste encontro foi o de discutir assuntos ligados aos brasileiros que vivem no exterior, principalmente nos Estados Unidos.

Aconteceu na tarde desta segunda-feira (17) uma reunião entre membros do Consulado Geral do Brasil em Boston (MA), membros da comunidade, Conselho de Cidadãos e mídia comunitária, e uma comissão de deputados do Brasil. O motivo deste encontro foi o de discutir assuntos ligados aos brasileiros que vivem no exterior, principalmente nos Estados Unidos.

Júlio Morais e Dario Galvão, os organizadores da reunião, disseram que a participação dos dois deputados foi muito boa, pois a comunidade pôde apresentar os problemas reais vividos por ela. “Mas eu acho que de todos os problemas apresentados, o corte de verba do Itamarati foi o mais importante”, fala ressaltando que corte afeta as ONGs, os funcionários do consulado e principalmente a comunidade brasileira. “Por causa disso, temos menos consulados itinerantes e menos ajuda aos brasileiros que estão presos”.

Os dois deputados presentes: Marco Feliciano (PSC-SO e Francisco Eurico (PSB-PE) foram enfáticos: estamos aqui a convite e queremos ouvir as reivindicações de vocês. Mediante tal afirmativa os assuntos foram surgindo à revelia, e aos poucos e num clima tenso algumas vezes e maneiros em outra foram aparecendo. As atuais condições dos brasileiros que estão presos em diversos presídios dos Estados Unidos foi uma delas. E o Embaixador... informou que o órgão esteve e estará sempre presente e se envolvendo mais no assunto e que sempre pretende colaborar com as famílias destas pessoas.

O Capelão e Pastor José Roberto, que realiza visitas constantes a presídios e hospitais, disse que existem milhares de brasileiros presos e não podem ser esquecidos. “A maioria é por crimes de imigração e não pode ficar muito tempo nas cadeias, pois não são criminosos”, ressaltou.

Outra questão levantada foi a da liberação da carteira de motorista para imigrantes indocumentados. Apesar da classe política brasileira não poder influenciar nas leis norte-americanas, os presentes deixaram claro que os legisladores podem manter contatos e tentar um “lobby” para conseguir a aprovação do projeto.

O Deputado Marco Feliciano sugeriu que devido à grande presença da comunidade mineira neste país, os ativistas convidem também os representantes políticos de Minas Gerais. “Tenho certeza de que eles se interessarão em ajudar esta comunidade”, acrescentou.

A ativista Ester Sanchez informou que já está mantendo contato com alguns políticos mineiros no sentido de organizar a vinda deles ao país.

O produtor de eventos Max Willian disse que acredita que encontros deste gênero são muito importantes para a comunidade, pois cria a oportunidade de aproximação entre líderes comunitários, imprensa, ativistas, consulado e políticos brasileiros. “Desta forma podemos debater ideias e criar possibilidades para novos projetos e melhoria da assistência aos brasileiros que vivem no exterior”, disse.

Max ressalta que quem foi à reunião mostrou que realmente está preocupado com a situação dos brasileiros que vivem nos Estados Unidos. Ele também aponta a presença dos deputados Marco Feliciano e Pastor Eurico. “Eles se mostraram bastante solícitos e interessados em ajudar a comunidade”, disse. “Queria parabenizar aos organizadores deste encontro, Júlio Morais e Dario Galvão”, conclui.

O advogado de Imigração Danilo Brak também esteve na reunião e destacou a importância da comunidade ser mais participativa neste tipo de evento. Ele elogiou o encontro e disse que percebeu “que os deputados estão bastante interessados em estabelecer uma melhor comunicação entre o consulado e a comunidade, em esclarecimentos sobre as diferenças legais de jurisdição do Brasil e EUA, bem como o seu impacto em imigrantes brasileiros presos, e especificamente porque o consulado, em alguns casos, não tem envolvimento com imigrantes detidos”.

O advogado disse que espera novidades, pois os deputados alegaram que devido ser ano eleitoral, pouca coisa pode ser feita neste ano. O deputado Marco Feliciano falou que várias propostas foram encaminhadas ao Itamaraty, mas que agora mais progresso será possível, pois já passou a turbulência das eleições”.

Danilo também destacou a abordagem do assunto sobre as autonomias dos estados norte-americanos e como os políticos brasileiros podem estabelecer maiores contatos e exercer influência por causa dessa independência estadual do governo federal, “fato que eles desconheciam”.

O professor brasileiro da Harvard University, Pedro Trengouse, falou sobre a organização de uma nova associação para tentar congregar pessoas da comunidade para a elaboração de propostas viáveis ao desenvolvimento coletivo. E que as associações podem sobreviver sem tem quer contar com a ajuda do Consulado. Apoio moral sim, mas financeiro, não, disse o professor. Uma reunião está sendo marcada, e que todos os interessados podem participar. O professor tentou fazer um paralelo entre a comunidade e o papel do Consulado.

Também falou o jornalista Paulo Manauer, quando acusa o Consulado de neglicencia no atendimento aos brasileiros detidos ou presos, tanto pela Imigração ou pelo judiciário. Uma carta assinada pela ministra Maria Helena foi distribuída durante o encontro, em que refutam tais acusações publicadas em seu jornal. Mas o jornalista foi enfático e exigiu mais explicações do Consulado, o que deixou o embaixador constrangido. Mas em nenhum momento, disse o Embaixador Frederico Cesar, dentro da jurisprudência ou condições em que o Consulado possa intervir, tudo foi feito.

Edirson Paiva do Brazilian Times, cobrou do deputado Marco Feliciano o que conseguiu em virtude de sua visita ano passado(2013) para tratar de assuntos relacionados aos brasileiros detidos em cárceres americanos. E o deputado foi enfático afirmando que fez as suas argumentações ao governo brasileiro, e que o Itamaraty, responsável por este tipo de problema, descartou qualquer envolvimento, alegando que isto é um assunto interno de cada país.

Edirson Paiva também discorreu sobre a falta de união da comunidade, fato observado até pelo deputado de Pernambuco Pastor Eurico quando disse que a comunidade está dividida em duas classe A e B; sendo A (os presentes ao encontro) e B) os que boicotaram o encontro, visto que somente 4 membros do Conselho de Cidadãos estiveram presentes; Suely DiBarra, Dario Galvão, Paulo Monauer e Julio Morais. Sobre este mesmo tema Edirson acrescentou mais uma classe. Ele acha que a comunidade está dividade em 3 classes: A) Os trabalhadores (neste grupo ele se incluiu); B) Os Acadêmicos, como é o caso do professor da Harvard (Pedro Trengouse) e C), os grande empresários, e citou como exemplo a Ester-Sanches Naez. Pelo desarranjo ou desnível social, Edirson acha uma união das 3 utópica, mas que toda tentantiva é válida.

O embaixador e Cônsul-Geral de Boston Frederico Cesar de Araujo agradeceu o encontro ressaltando seu apoio a comunidade colocando em pauta o que o Consulado pode e não pode fazer. Sobre o Conselho de Cidadãos” foi enfático: O Conselho precisa ser organizado e dirigido pelos próprios conselheiros e não pelo Consulado. Também presente ao encontro a Ministra Maria Helena Pinheiro. Outros membros da comunidade estiverem presente num total aproximado de 20 pessoas.

A mídia presente: Alex Colombini (Jornal dos Sports), Walter Medeiros (Negócio Fechado), Paulo Monauer (Hello Brasil News) e Edirson Paiva (Brazilian Times). Também presente a radialista e promotora de eventos, Sueli deBarra.

Fonte: Da Redação do Brazilian Times | Texto de Luciano Sodré