Publicado em 29/08/2016 as 3:00pm

PF pede aos EUA dados de contas de marqueteiros do PT em Nova York para ação no TSE

Solicitação mira em dados de João Santana e sua mulher e sócia Mônica Moura; investigadores precisam de autorização expressa das autoridades americanas para informações serem utilizadas em ação que pode levar à impugnação de Dilma e Temer

O delegado da Polícia Federal Filipe Hile Pace, da Lava Jato em Curitiba, solicitou autorização do Departamento de Justiça dos Estados Unidos para compartilhar com o Tribunal Superior Eleitoral os dados da movimentação financeira no exterior dos marqueteiros João Santana e Mônica Moura, que atuaram na campanha de Dilma Rousseff (PT) e seu então candidato a vice Michel Temer (PMDB) em 2014.

A autorização é necessária para que as informações, já utilizadas pela Lava Jato para denunciar os marqueteiros na Justiça Federal, sejam também usadas como prova na ação movida pelo PSDB na Justiça Eleitoral para impugnar o mandato de Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (PMDB).

“Em razão do pedido da especialidade que rege a cooperação jurídica internacional, há necessidade de autorização expressa e específica das autoridades norte-americanas para que os extratos da conta Shellbil Finance S.A. mantidos pelo Citibank N.Á., New York, sejam remetidos ao TSE”, afirma o delegado no pedido.

Diante da solicitação, encaminhada ao Departamento de Cooperação Jurídica da Polícia Federal no dia 10 de agosto, o juiz Sérgio Moro deu, nesta segunda-feira, 22, o prazo de 60 dias para aguardar a resposta das autoridades americanas.

Com a autorização, o juiz da Lava Jato poderá encaminhar o material ao TSE, na ação que pode impugnar até o presidente interino Michel Temer (PMDB).

As informações sobre a quebra de sigilo das contas da offshore Shellbil Finance, que pertence ao casal de marqueteiros, já foram compartilhadas com o Brasil em março em uma cooperação jurídica com os EUA para as investigações na Lava Jato.

Para que essas informações possam ser utilizadas também como prova na Justiça Eleitoral, porém, é necessária uma nova manifestação expressa das autoridades americanas.

O imbróglio burocrático ocorre, pois, as movimentações financeiras da offshore que não eram declarada pelo casal às autoridades brasileiras até a Lava Jato chegar neles, eram realizadas pelo Citibank N.A, de Nova York.

A instituição é a responsável por gerenciar as contas, inclusive em outros países (como na Suíça e no Panamá), que o próprio casal de marqueteiros já admitiu, em depoimento ao juiz da Lava Jato, terem sido usadas para receber dinheiro de caixa 2 da campanha eleitoral de Dilma Rousseff em 2010.

Colaboração

No começo do ano, a Lava Jato conseguiu em cooperação com as autoridades americanas a quebra do sigilo da movimentação bancária da offshore, e identificou que o casal de marqueteiros teria recebido US$ 7,5 milhões de offshores utilizadas pela Odebrecht para o pagamento de propinas (US$ 3 milhões) e também de offshores utilizadas pelo lobista e operador de propinas no esquema de corrupção na Petrobrás, Zwi Skornicki (US$ 4,5 milhões).

Fonte: Da redação