Publicado em 5/11/2014 as 12:00am

MIT afirma que brasileiros podem morrer em 68 dias em Marte

A proposta do programa Mars One é ambiciosa: levar a Marte grupos separados em quartetos ? dois homens e duas mulheres ? para colonizar o planeta.

A proposta do programa Mars One é ambiciosa: levar a Marte grupos separados em quartetos – dois homens e duas mulheres – para colonizar o planeta. Para isso, o projeto de iniciativa privada, criado na Holanda, pretende enviar uma série de missões não tripuladas a partir de 2020 com o objetivo de preparar o terreno para receber a presença humana. O problema é que nem mesmo toda a precaução pode ser suficiente.

Um estudo conduzido por pesquisadores do Massachusetts Institute of Technology (MIT), em Cambridge (Massachusetts), divulgado em outubro, indica que, nas condições atuais de desenvolvimento tecnológico, um ser humano não suportaria a vida em Marte por mais de 68 dias. Como o Mars One não trabalha com inovações – adota apenas tecnologia já existente – essa previsão inviabilizaria o sucesso da empreitada.

Dos cerca de 200 mil inscritos, restam 705 candidatos do Mars One após duas fases do processo de seleção. No total, serão escolhidos de 20 a 24 viajantes espaciais para formar as equipes, que terão a missão de dar adeus à vida na Terra com o objetivo de levar a humanidade, pela primeira vez, a se estabelecer em outro planeta. Entre os remanescentes, há 418 homens e 287 mulheres de 99 países.

Vynicius Takeda, 21 anos, é um dos brasileiros na lista. Nem mesmo a divulgação do estudo do MIT diminui a sua vontade de fazer parte da história. “Eu acredito no Mars One, ainda que existam muitos detalhes a ser acertados. Acredito que o estudo do MIT foi baseado em tecnologias utilizadas na Estação Espacial Internacional, que não serão aproveitadas nessas missões, e não levou em conta a tecnologia de extração de oxigênio do ambiente”, afirma o programador de software, natural de Mirandópolis (SP).

O interesse no projeto de entidades renomadas, como o MIT, é celebrado por Takeda. “Fiquei muito feliz de saber que o Mars One tem envolvido escolas consagradas. Será preciso contar com toda ajuda e colaboração de quem estiver disposto a botar a mão na massa”, diz.

O brasileiro afirma também a que aceitaria um lugar na equipe inicial do projeto, apesar de todos os riscos envolvidos. “Embora eu não creia que a viagem terá somente alegria e festa, aceitaria com toda a certeza. Estar longe de familiares e amigos não será fácil, mas creio que o esforço valerá a pena”, avalia.

Outra brasileira na lista é Norma Portal. Aos 36 anos, a publicitária, nascida no Rio de Janeiro e radicada em Lisboa, considera que a expectativa gerada pelo Mars One deu novo sentido a sua vida. Ela diz ter total confiança no projeto, mesmo com os relatos negativos do MIT. “Eu acredito no Mars One até que me provem o contrário, e estou vivendo isso intensamente. Nunca imaginei que estaria entre os 705 – não ganhava nem bingo de escola! Agora acredito, sim, que tenho a oportunidade de ser escolhida”, afirma.

A gama de brasileiros que permanecem na disputa é bem variada – e os seus motivos para viajar, bem curiosos. É possível assistir a depoimentos dos candidatos no site do projeto https://applicants.mars-one.com/. João Inácio Barros, por exemplo, disse estar “com vergonha do Brasil”, e por isso gostaria de viver em outro planeta. Já Sandra, moradora de Porto Velho, afirmou que sonha em plantar uma árvore no solo vermelho do planeta vizinho, enquanto José Jobson da Silva, ao falar sobre o fato de muitos amigos o considerarem louco pela iniciativa, declarou que “louco é quem dá aula no Brasil”.

Fonte: Da Redação