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Cinco crianças submetidas a condições análogas à escravidão receberão indenização de US$ 4,4 milhões nos EUA

Cinco irmãos que foram submetidos a anos de abusos e condições descritas pelas autoridades como análogas à escravidão receberão US$ 4,4 milhões em indenização, aproximadamente R$ 23 milhões, após um acordo envolvendo o…

Publicado em 10/05/26
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Cinco crianças submetidas a condições análogas à escravidão receberão indenização de US$ 4,4 milhões nos EUA

Cinco irmãos que foram submetidos a anos de abusos e condições descritas pelas autoridades como análogas à escravidão receberão US$ 4,4 milhões em indenização, aproximadamente R$ 23 milhões, após um acordo envolvendo o estado da Virgínia Ocidental, nos Estados Unidos.

As crianças, que são negras, haviam sido adotadas por um casal branco e foram resgatadas em outubro de 2023, na cidade de Sissonville. O acordo foi firmado neste mês depois de questionamentos sobre a atuação do Serviço de Proteção à Criança diante de denúncias feitas antes do resgate, segundo informações divulgadas pelo West Virginia Watch.

O caso ganhou repercussão após autoridades encontrarem três das crianças trancadas em um galpão. O local não tinha iluminação adequada, comida nem água corrente e era monitorado por uma câmera.

Outra criança, de 9 anos, foi encontrada presa dentro da residência. Segundo as autoridades, os menores apresentavam sinais de negligência, incluindo ferimentos nos pés e roupas sujas.

Os pais adotivos, Jeanne Kay Whitefeather, de 63 anos, e Donald Lantz, de 64, foram posteriormente condenados a penas de 215 e 160 anos de prisão, respectivamente. Eles também receberam ordem judicial para pagar US$ 280 mil em indenização aos filhos.

O processo revelou que moradores da região já haviam comunicado às autoridades situações consideradas preocupantes envolvendo as crianças.

Uma das vizinhas, Joyce Bailey, relatou ter visto Lantz obrigando os menores a realizar trabalhos físicos, como carregar cercas, baldes de água e tanques de propano, até ficarem exaustos.

As denúncias anteriores ao resgate passaram a ocupar papel central no processo contra o estado.

De acordo com a ação, o Serviço de Proteção à Criança recebeu diversos alertas, mas não apresentou documentação suficiente demonstrando que seus funcionários tenham conversado adequadamente com as crianças para verificar o que ocorria dentro da residência.

O advogado Dante diTrapano, que representa os irmãos, afirmou que, em uma das ocasiões, um funcionário teria ido até o imóvel e deixado apenas um cartão na porta.

“Recebemos uma enxurrada de ligações de vizinhos, e acho que só houve uma visita. Deveria ter havido muito mais”, afirmou o advogado.

US$ 4,4 milhões serão destinados às crianças

Pelo acordo, os US$ 4,4 milhões serão divididos entre os cinco irmãos por meio de um fundo destinado a ajudá-los em sua recuperação e nas necessidades decorrentes dos traumas sofridos.

Para diTrapano, o acordo poderá proporcionar às crianças condições para reconstruir parte da vida que lhes foi tirada durante os anos de violência e negligência.

“Significa que essas crianças terão a oportunidade de serem crianças”, declarou. Segundo ele, os irmãos “foram roubados de sua inocência e de sua juventude” pelos antigos pais adotivos.

Apesar do acordo financeiro, o advogado afirma que as crianças ainda enfrentam consequências dos abusos e precisarão de acompanhamento e assistência.

Estado anuncia mudanças no sistema de proteção

O governo do governador da Virgínia Ocidental, Patrick Morrisey, informou que o funcionário responsável pela entrevista relacionada ao caso foi demitido durante a administração anterior.

O governo também afirmou que mudanças foram implementadas no sistema estadual de proteção infantil, incluindo novos treinamentos para funcionários e a adoção do chamado Modelo SAFE, metodologia utilizada na avaliação da segurança e das necessidades de crianças e famílias.

O acordo encerra a disputa civil relacionada às alegadas falhas do estado na proteção dos irmãos, mas o caso permanece como um exemplo das consequências que podem ocorrer quando denúncias de possíveis maus-tratos não são investigadas de maneira adequada.

Irmãos estão com novas famílias

Depois do resgate, as cinco crianças foram encaminhadas para novas famílias adotivas.

Segundo diTrapano, relatos das atuais mães adotivas mostram uma transformação significativa na rotina dos irmãos. Depois dos anos de isolamento e violência, eles passaram a ter experiências comuns da infância, incluindo passeios a praias, parques de diversões e museus.

A indenização deverá ser utilizada justamente para garantir assistência e melhores condições para o futuro das crianças.

O caso também expôs questionamentos sobre os mecanismos usados pelas autoridades para responder a denúncias de abuso e negligência infantil. Para os representantes dos irmãos, uma intervenção mais efetiva após os primeiros alertas poderia ter interrompido os abusos antes do resgate realizado em 2023.

Fonte: Da redação

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