Da Redação
A saúde do ditador norte-coreano Kim Jong-un voltou ao centro das atenções internacionais após a circulação de informações de que ele teria sofrido uma grave hemorragia cerebral, entrado em coma e sido transferido às pressas para um hospital em Pequim, na China. Algumas publicações chegaram a afirmar que o líder havia morrido, provocando uma onda de especulações sobre o futuro político da Coreia do Norte.
Os rumores ganharam força entre os dias 18 e 20 de outubro e foram reproduzidos por veículos internacionais, incluindo o britânico The Sun e o americano New York Post. Entretanto, até o momento, não existem evidências confiáveis que comprovem a suposta emergência médica ou a morte de Kim Jong-un.
Segundo informações divulgadas pela agência sul-coreana Yonhap, as alegações tiveram origem em publicações feitas na rede social X pelo dissidente chinês Wanjun Xie, residente nos Estados Unidos. Ele afirmou que o governante norte-coreano teria sofrido uma hemorragia cerebral e sido levado ao Peking Union Medical College Hospital, em Pequim, para receber tratamento especializado.
O dissidente também alegou que Kim teria morrido após a emergência médica e que seu corpo teria sido transportado secretamente de volta à Coreia do Norte. Nenhuma prova foi apresentada para sustentar essas afirmações.
Em meio à repercussão internacional, a agência estatal norte-coreana KCNA divulgou, nesta terça-feira (20), fotografias que mostram Kim Jong-un visitando uma exposição nacional de roupas e calçados em Pyongyang.
Segundo a imprensa oficial, a visita ocorreu na segunda-feira (19), quando o líder percorreu as instalações acompanhado de sua filha, Kim Ju-ae, e de representantes do governo.
Nas imagens, Kim aparece observando produtos e conversando com autoridades durante a exposição. A divulgação contraria as alegações de que ele teria morrido, embora as fotografias e a data exata de sua produção não tenham sido verificadas de maneira independente.
As autoridades da Coreia do Norte não comentaram diretamente os rumores sobre a suposta hemorragia cerebral.
Representantes diplomáticos e de segurança da Coreia do Sul também afirmaram não possuir informações que sustentem as notícias sobre a suposta morte do ditador.
O episódio ganhou repercussão porque a Coreia do Norte mantém rígido controle sobre a divulgação de informações relacionadas à saúde e à vida pessoal de seus dirigentes.
A falta de transparência frequentemente alimenta especulações internacionais, especialmente quando Kim Jong-un permanece algum período sem aparecer em eventos públicos.
Em abril de 2020, por exemplo, o desaparecimento temporário do líder das cerimônias oficiais provocou rumores de que ele estaria gravemente doente ou teria morrido. Posteriormente, Kim reapareceu em público.
A condição física de Kim Jong-un é acompanhada por serviços de inteligência estrangeiros, principalmente da Coreia do Sul.
Em setembro de 2026, a agência de inteligência sul-coreana apresentou uma avaliação indicando que o governante, de 42 anos, poderia enfrentar riscos cardiovasculares relacionados ao peso. Na ocasião, entretanto, não foram identificados sinais claros de problemas graves de saúde.
Uma eventual mudança inesperada na liderança norte-coreana teria consequências importantes para a estabilidade política da região, considerando o arsenal nuclear do país e as tensões diplomáticas envolvendo Coreia do Sul, Japão, China e Estados Unidos.
O debate sobre uma possível sucessão também ganhou espaço nas redes sociais, com referências à irmã do ditador, Kim Yo-jong, e à filha, Kim Ju-ae. Contudo, não existe confirmação de qualquer transferência de poder.
Até esta terça-feira, 20 de outubro, as informações de que Kim Jong-un sofreu uma hemorragia cerebral, entrou em coma ou morreu permanecem sem comprovação. As novas imagens divulgadas pela imprensa estatal norte-coreana reforçam a necessidade de cautela diante das alegações que circulam nas redes sociais.





