Senador Alex Padilla acusa governo de impor cotas e adotar perfil racial em fiscalizações do ICE; Kristi Noem e Tom Homan negam abusos e prometem recorrer de decisão judicial
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Governo Trump defende batidas imigratórias após morte de trabalhador em fazenda na Califórnia
Da redação
Autoridades federais do governo Trump defenderam neste domingo (13) a intensificação das operações de deportação de imigrantes nos Estados Unidos, mesmo após a morte de um trabalhador durante uma batida do ICE (Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas) em uma fazenda de cannabis no sul da Califórnia.
A operação, realizada na sexta-feira (11), resultou na detenção de 319 pessoas em situação imigratória irregular e na identificação de 14 menores de idade. Segundo o sindicato United Farm Workers (UFW), um dos trabalhadores morreu em decorrência dos ferimentos sofridos durante a ação. Outros também ficaram feridos.
A secretária do Departamento de Segurança Interna (DHS), Kristi Noem, e o czar de fronteira do governo Trump, Tom Homan, negaram qualquer ilegalidade nas ações e anunciaram que irão recorrer da decisão de um juiz federal que proibiu detenções baseadas em perfil racial e sem acesso a representação legal. O juiz foi nomeado pelo ex-presidente Joe Biden.
“Vamos recorrer e vamos ganhar”, declarou Noem em entrevista à Fox News, negando que os agentes tenham agido fora da lei. Já Homan, em participação no programa State of the Union, da CNN, afirmou que “as características físicas podem ser um dos fatores” usados para estabelecer suspeita razoável sobre o status imigratório de uma pessoa.
A morte do trabalhador foi classificada como “trágica” por Homan, que defendeu os agentes. “É sempre lamentável quando há mortes, mas os agentes estavam cumprindo mandados de busca criminal.”
O senador democrata Alex Padilla, da Califórnia, rebateu duramente a justificativa do governo. Filho de imigrantes mexicanos, Padilla declarou que as operações têm sido motivadas por cotas de detenções impostas no final de maio e criticou o uso de perfilamento racial. “Isso está fazendo com que o ICE se torne mais agressivo, mais cruel, mais extremo, e esses são os resultados: são pessoas morrendo”, afirmou.
Padilla relatou ter conversado com representantes do UFW e responsabilizou diretamente o governo pelas consequências das ações. Em junho, ele foi retirado à força de uma coletiva de imprensa da secretária Noem em Los Angeles e chegou a ser algemado após tentar fazer uma pergunta.
O presidente Donald Trump prometeu deportar milhões de imigrantes indocumentados e ampliou fiscalizações em locais de trabalho — incluindo fazendas, que haviam sido amplamente poupadas durante seu primeiro mandato. A nova fase das operações já motivou dezenas de processos judiciais em diferentes estados norte-americanos.
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