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Revista Brazilian Times # 86
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Delegado do Colorado é acusado de violar lei estadual ao colaborar com ICE na prisão de estudante brasileira

A denúncia contra Zwinck é civil, não criminal, e poderá resultar em sanções como uma ordem judicial proibindo novas colaborações com autoridades federais de imigração ou em um acordo legal conhecido como consent decree, mediante o qual o delegado reconheceria a infração e se comprometeria judicialmente a não reincidir. Multas também estão entre as medidas possíveis.


O procurador-geral do Colorado, Phil Weiser, entrou com uma ação civil contra o delegado Alexander Zwinck, do condado de Mesa, acusando-o de violar a lei estadual ao colaborar deliberadamente com autoridades federais de imigração na prisão de uma estudante brasileira de 19 anos.

Segundo Weiser, Zwinck compartilhou informações sobre Caroline Dias Gonçalves — estudante da Universidade de Utah — em um grupo de mensagens criptografado no aplicativo Signal, composto por agentes locais e federais. A troca de informações resultou na prisão da jovem em junho por agentes do Departamento de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE, sigla em inglês). A legislação do Colorado proíbe expressamente que agentes locais atuem em processos de aplicação da lei imigratória civil.

Durante coletiva de imprensa nesta terça-feira (22), o procurador-geral afirmou que o delegado forneceu aos agentes federais detalhes como modelo do veículo da estudante, placa, direção e horário de deslocamento. “Essas ações foram tomadas exclusivamente para viabilizar uma operação de imigração”, disse Weiser, acrescentando que Zwinck teria retardado intencionalmente a liberação de Caroline para facilitar a abordagem dos agentes federais.

Após a prisão, o delegado ainda teria enviado uma mensagem parabenizando os agentes com um “Nice work” (bom trabalho), de acordo com a denúncia.

Além da ação contra Zwinck, a Procuradoria-Geral do Estado iniciou uma investigação mais ampla sobre o uso do grupo Signal por outras agências policiais locais e se também violaram a legislação estadual ao colaborar com o ICE.

Estudante brasileira tem pedido de asilo pendente

Caroline Dias Gonçalves se mudou do Brasil para os EUA quando tinha apenas 7 anos de odade, com sua família, entrando legalmente no país com visto de turista, mas permaneceu além do tempo permitido. Atualmente, ela aguarda uma decisão sobre seu pedido de asilo.

Ela foi parada no dia 5 de junho por Zwinck na rodovia Interstate 70, perto de Loma, sob alegação de estar dirigindo muito próxima de um caminhão. Durante a abordagem, o delegado tirou uma foto de sua carteira de motorista e a compartilhou no grupo com agentes federais. Um dos agentes respondeu que ela “aparentemente tinha problemas de imigração”.

Mesmo sem encontrar histórico criminal, o delegado manteve a abordagem por mais 15 minutos e informou os agentes sobre a localização e os detalhes do veículo. Pouco depois, Caroline foi parada novamente, desta vez por agentes federais próximos a Grand Junction, e levada sob custódia. Ela permaneceu detida em Aurora por mais de duas semanas até ser liberada mediante pagamento de fiança.

Histórico de colaboração ilegal

O procurador-geral também apontou que o delegado compartilhou informações com o ICE em outras ocasiões entre maio e junho deste ano. Em uma delas, ele teria enviado a imagem da carteira de motorista de outra pessoa e, ao saber que o indivíduo havia excedido o tempo de permanência do visto, respondeu com sarcasmo: “É melhor a gente receber umas cestas de Natal caprichadas de vocês”.

Zwinck está atualmente afastado administrativamente, enquanto uma investigação interna conduzida pelo Gabinete do Xerife de Mesa está em andamento e deve ser concluída nos próximos dias. A porta-voz da corporação, Molly Casey, afirmou que o departamento se compromete com a transparência e fornecerá novas informações assim que a apuração for finalizada.

A denúncia contra Zwinck é civil, não criminal, e poderá resultar em sanções como uma ordem judicial proibindo novas colaborações com autoridades federais de imigração ou em um acordo legal conhecido como consent decree, mediante o qual o delegado reconheceria a infração e se comprometeria judicialmente a não reincidir. Multas também estão entre as medidas possíveis.

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