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Revista Brazilian Times # 83
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Após a morte de Preta Gil, cresce o alerta sobre o avanço do câncer colorretal entre os mais jovens

Ainda não há uma explicação definitiva para esse aumento. Uma das principais hipóteses aponta para mudanças no estilo de vida moderno: alimentação baseada em produtos ultraprocessados, sedentarismo, excesso de peso e obesidade estão entre os fatores associados.


O aumento expressivo de casos de câncer colorretal em pessoas com menos de 50 anos tem gerado grande preocupação entre especialistas da saúde em todo o mundo. Descrito como “assustador” e “alarmante”, o fenômeno vem sendo estudado por médicos e instituições diante do crescimento acelerado da doença em faixas etárias mais jovens.

No Brasil, o assunto ganhou ainda mais destaque com a morte da cantora e apresentadora Preta Gil, no último domingo (20), aos 50 anos, após complicações causadas por um câncer colorretal diagnosticado em 2023.

Esse tipo de câncer afeta o cólon (intestino grosso) e o reto, e historicamente era mais comum em pessoas acima dos 60 anos. No entanto, nas últimas décadas, dados revelam uma tendência de crescimento entre adultos mais jovens. Segundo o oncologista Paulo Hoff, presidente da Oncologia D’Or, houve um aumento de até 70% nos casos entre os mais jovens nos últimos 30 anos.

Cenário preocupante nos EUA e no Brasil

Nos Estados Unidos, onde o fenômeno foi detectado com antecedência, a idade mínima para exames preventivos foi reduzida de 50 para 45 anos. Um relatório da Sociedade Americana de Câncer revelou que 20% dos diagnósticos em 2019 foram em pessoas com menos de 55 anos — o dobro do registrado em 1995.

No Brasil, estudos do Instituto Nacional de Câncer (Inca) também indicam crescimento da doença em pessoas de 20 a 49 anos. Segundo a epidemiologista Marianna Cancela, embora o aumento seja discreto, ele é estatisticamente relevante. Entre homens nessa faixa etária, a taxa passou de 5 para 6 casos por 100 mil habitantes entre 2000 e 2017. Entre mulheres jovens, a tendência também existe, embora ainda sem significância estatística.

Projeções do Inca apontam que o câncer colorretal será um dos poucos tumores a registrar aumento de mortes prematuras no Brasil até 2030, tanto entre homens quanto entre mulheres.

Estilo de vida e causas investigadas

Ainda não há uma explicação definitiva para esse aumento. Uma das principais hipóteses aponta para mudanças no estilo de vida moderno: alimentação baseada em produtos ultraprocessados, sedentarismo, excesso de peso e obesidade estão entre os fatores associados.

Outros possíveis fatores incluem o uso excessivo de antibióticos, tanto em humanos quanto na produção de carne, e mudanças no microbioma intestinal, que ainda estão sendo estudadas.

A importância da detecção precoce

Nos EUA, as diretrizes de rastreamento foram atualizadas. A partir dos 45 anos, todos devem fazer exames preventivos. No Brasil, ainda não existe um programa nacional de rastreamento específico, mas o Inca estuda a implantação de uma política pública nesse sentido.

Os exames mais utilizados são o teste de sangue oculto nas fezes — simples, barato e eficiente como triagem — e a colonoscopia, exame mais completo, porém mais caro e com menor adesão populacional.

Médicos sugerem que o exame de sangue oculto seja anual a partir dos 45 anos. Se houver resultado positivo, a colonoscopia é indicada para investigação mais aprofundada. A estratégia permite o uso racional de recursos e amplia a chance de diagnóstico precoce.

Prognóstico é cada vez mais positivo

Apesar do crescimento entre os jovens, o prognóstico para o câncer colorretal tem melhorado graças aos avanços na medicina. Cirurgias mais precisas e novos medicamentos, como quimioterápicos e imunoterápicos, têm aumentado a taxa de cura — que pode ultrapassar 95% nos casos iniciais.

Mesmo nos estágios mais avançados, a expectativa de vida dos pacientes melhorou significativamente. “Nos anos 1990, o diagnóstico de metástase era quase uma sentença de morte. Hoje, temos pacientes que vivem muitos anos e até se curam”, destaca Paulo Hoff.

Atenção aos sinais

Especialistas alertam: é essencial ficar atento a sintomas como sangue nas fezes, cólicas frequentes, alterações no ritmo intestinal e desconfortos abdominais. Esses sinais não devem ser ignorados — mesmo por pessoas jovens.

“Se algo não vai bem no seu intestino, procure um médico. Quanto antes o diagnóstico for feito, maiores são as chances de cura”, reforça o oncologista Samuel Aguiar Jr., do A.C. Camargo Cancer Center.

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