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Revista Brazilian Times # 86
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Crise imigratória afeta igrejas frequentadas por brasileiras nos EUA

Enquanto fiéis vivem sob a sombra da deportação e igrejas enfrentam dificuldades para manter suas atividades, líderes religiosos seguem lutando para cumprir sua missão: amparar quem mais precisa, mesmo em tempos de incerteza e temor.


As crescentes ações de deportação sob o governo do presidente Donald Trump estão provocando impactos profundos não apenas nas vidas dos imigrantes nos Estados Unidos, mas também nas igrejas que os acolhem. Em diversas regiões do país, líderes religiosos relatam quedas drásticas na arrecadação, aumento na demanda por assistência e esvaziamento de eventos tradicionais.

Na Celebration Church, congregação Batista bilíngue (português e inglês) da região de Boston (Massachusetts), o fundo de assistência — destinado a ajudar membros com necessidades básicas como alimentos, roupas e aquecimento — já estava praticamente esgotado em abril, apenas três meses após o início da ofensiva migratória do governo federal. “Se um membro da família é detido, a igreja tenta se mobilizar para ajudar”, disse o pastor Josias Souza.

Segundo ele, muitos fiéis estão com medo de sair para trabalhar. “Se a pessoa não trabalha, ela não recebe. E aí precisa de ajuda.”

Situação semelhante ocorre em Our Family, uma igreja multicultural na região de Orlando (Flórida). O reverendo Lécio Dornas, responsável pelo ministério brasileiro, relata que o medo de batidas de imigração no local de trabalho ou até durante o trajeto tem sido paralisante. “O impacto maior tem sido na renda das famílias”, explica. “Com menos dinheiro entrando, as ofertas diminuem, mas a necessidade de ajuda só cresce.”

Esse cenário tem levado pastores de comunidades imigrantes a buscar soluções para equilibrar o apoio espiritual e material com a sustentabilidade financeira das igrejas. Em San Antonio, Texas, a histórica Catedral de San Fernando, com 287 anos de existência, também sentiu o impacto. O padre Carlos Velázquez atribui a baixa participação na tradicional Fiesta San Fernando, parte do festival Fiesta San Antonio, ao medo generalizado de seus frequentadores. “As pessoas não querem sair de casa. Estão com medo”, afirmou.

Além da queda no número de participantes, Velázquez destaca que quem compareceu gastou menos, refletindo a insegurança econômica causada pelo clima de incerteza imigratória. O prejuízo levou o padre a adiar manutenções urgentes no prédio onde vive, que já apresenta rachaduras no teto por conta da umidade. “É um problema sério, mas teremos que adiar.”

Em Los Angeles, o padre Mario Torres, da paróquia St. Thomas the Apostle, uma das maiores da cidade, tomou a decisão de adiar a tradicional festa de julho para setembro, após constatar que metade das pessoas consultadas temia comparecer ao evento.

Enquanto fiéis vivem sob a sombra da deportação e igrejas enfrentam dificuldades para manter suas atividades, líderes religiosos seguem lutando para cumprir sua missão: amparar quem mais precisa, mesmo em tempos de incerteza e temor.

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