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Revista Brazilian Times # 86
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Violência Contra Mulher  –  A Besta Fera do Elevador

A mão que hora acaricia também é capaz de desferir golpes covardes, desfigurar e de até calar uma mulher. Um soco, dois, três, não, sessenta e um, foram o suficiente para assustar e fazer mais uma vítima de um covarde. 

A mão que hora acaricia também é capaz de desferir golpes covardes, desfigurar e de até calar uma mulher. Um soco, dois, três, não, sessenta e um, foram o suficiente para assustar e fazer mais uma vítima de um covarde. 

As imagens do elevador repercutiram durante toda a semana enquanto muitos olhavam perplexos tentando entender o que significava tanta barbaridade. A besta do elevador cobriu de sangue o rosto de mais uma mulher que ficou imobilizada perante tanta violência. Mas o que ninguém esperava é que dessa vez uma câmera registraria tudo, ou quase tudo e que se tornaria protagonista de ato cruel e desumano. 

Como disse Beto Ribeiro, jornalista brasileiro e apresentador do canal que leva o seu próprio nome, ”Vamos falar sobre esses espancadores que acham que estão batendo em mulher, como se isso fosse apenas uma agressão, o que também não é um crime fácil. Mas isso precisa começar a ser visto como uma tentativa de homicídio. A mão foi uma arma, o ódio foi o desejo, a motivação foi a bestialidade que existe dentro dele.” 

No dia 26 de Julho de 2025, no condomínio Praia Ponta Negra, Rio Grande do Norte, Igor Pereira Cabral de 29 anos agrediu com 61 socos Juliana Garcia dos Santos, ao qual estava se relacionando a  cerca de 2 anos. 

Segundo Juliana, o relacionamento do casal foi marcado por  idas e vindas. Naquele sábado, não foi a primeira vez em que ela foi agredida por ele. Ela já havia sofrido um empurrão anteriormente. A violência psicológica também era algo constante entre os dois ao ponto de prejudicar Juliana emocionalmente. Crises de ciúmes e agressões verbais faziam parte do dia à dia do casal. Juliana relatou que apesar do relacionamento abusivo, ela jamais imaginou que ele fosse capaz de tal brutalidade.

Juliana também compartilhou que enquanto participavam de uma confraternização no próprio condomínio onde mora,  Igor começou a demonstrar que havia ficado irritado ao perceber que Juliana estava conversando com um rapaz. Mesmo explicando que não havia nada de errado entre ela e o rapaz, Igor insistiu com as acusações de forma cada vez mais agressiva. 

Logo em seguida, ambos seguiram para o apartamento de Juliana em elevadores separados. Ao chegar no andar onde fica o apartamento, Igor invadiu o elevador onde estava Juliana e como se não parasse nem para tomar o fôlego, ele espancou a Juliana com 61 socos violentos ao ponto de desfigurar o rosto de sua vítima por graves lesões, incluindo chegando a fraturar o maxilar da mesma.

Mas o que faz a mulher adiar a denúncia ou não pedir ajuda? 

Infelizmente é uma pergunta tão cruel quanto de quem  duvida da falta de iniciativa de sair do relacionamento abusivo, pois é também uma forma de agredir a mulher vítima de um covarde que se esconde atrás dos braços fortes e de um par de calças froxas. 

O mais difícil deveria ser algo que não tem explicação, como a motivação que leva um homem a agredir uma mulher. O que deveria assustar é o aumento de feminicídios, de crimes hediondos e bárbaros que nos chocam assim como as explicitadas no vídeo do elevador, mas que caem no esquecimento rapidamente. 

Felizmente Juliana teve uma reação de permanecer dentro do elevador, pois sabia que nos corredores não existiam câmeras. No elevador, Juliana encarou o monstro da morte, entre amigos e vizinhos sobreviveu a humilhação enquanto procurava se divertir naquela tarde de sábado. Felizmente, Juliana foi socorrida pelo porteiro do prédio e também amparada pelos vizinhos que permaneceram juntos à vítima enquanto outros detiam o covarde de braços fortes até a chegada da polícia.

Felizmente, as câmeras daquele elevador, não só registraram a covardia de um ex-jogador profissional de basquete, mas também do dia em que o Brasil conheceria mais um homem perverso e sem limites com a carinha de “bom” moço. 

Agora Juliana aguarda, em meio a dor, o dia em que as lesões em seu rosto diminuam para poder assim, se submeter possivelmente à primeira de várias cirurgias para reconstruir o que lhe foi roubado durante aquela tarde de sábado. Enquanto isso, todos nós estaremos aguardando o dia em que pessoas como Igor recebam penas mais severas, pois o risco maior é devido a falhas do sistema judiciário o risco de obter liberdade antes mesmo das feridas serem saradas ou das cicatrizes das cirurgias serem tratadas. 

Juliana, porém mesmo sem condições de pedir ajuda, de gritar por socorro devido aos ferimentos após os golpes, juntou forças como quem reconhece que não são braços “fortes” que vão impedir uma mulher de lutar, e enquanto escrevia o início do que seria o seu depoimento registrando ali que não ficaria calada. 

Se você reconhece que seu companheiro não lhe trata com respeito e dignidade que toda mulher merece, sente medo do que possa acontecer se não seguir as “regras” ou fazer o que ele te “cobra” de forma a “garantir” a paz no relacionamento, BUSQUE AJUDA.  

 

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