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Revista Brazilian Times # 86
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Menina de 10 anos é morta após ser torturada; escola havia denunciado 12 vezes à proteção infantil

Rebekah foi encontrada inconsciente e com “ferimentos graves” em 27 de julho. Três dias depois, ela não resistiu. Segundo os promotores do caso, a menina apresentava sinais de desnutrição severa, desidratação, hematomas por todo o corpo, unhas dos pés arrancadas e lesões compatíveis com abuso sexual e físico.

Da redação

A morte da pequena Rebekah Baptiste, de apenas 10 anos, chocou a comunidade de Holbrook, no norte do Arizona, e levantou questionamentos graves sobre a atuação do Departamento de Segurança Infantil (DCS, na sigla em inglês). Novos detalhes revelados em audiência nesta segunda-feira (4) revelam que a menina foi vítima de tortura antes de morrer — e que sua escola alertou as autoridades 12 vezes sobre suspeitas de abuso.

Rebekah foi encontrada inconsciente e com “ferimentos graves” em 27 de julho. Três dias depois, ela não resistiu. Segundo os promotores do caso, a menina apresentava sinais de desnutrição severa, desidratação, hematomas por todo o corpo, unhas dos pés arrancadas e lesões compatíveis com abuso sexual e físico. Um dos médicos envolvidos no caso usou a palavra “tortura” para descrever o que Rebekah sofreu.

O pai da menina, Richard Baptiste, e a namorada dele, Anicia Woods, estão presos e foram formalmente acusados de homicídio em primeiro grau. Eles também respondem por abuso infantil relacionado aos irmãos mais novos de Rebekah, que agora estão sob custódia do DCS. Segundo a promotoria, Woods admitiu ter agredido as crianças.

Durante a audiência, o tio de Rebekah, Damon Hawkins, fez declarações emocionadas e acusou o sistema de proteção infantil de falhar com sua sobrinha. “Ela passou os últimos quatro dias de vida sozinha no hospital, e tudo o que o DCS pôde dizer foi: ‘Desculpe por você não ter sido informado’”, relatou. Ele contou ainda que, da última vez em que viu as crianças, notou medo em seus olhos ao voltarem para casa. “Ela estava roxa e azul da cabeça aos pés. Tinha dois olhos roxos. Estão dizendo que a causa da morte pode ter sido uma hemorragia”, disse.

Hawkins revelou que ele e a esposa alertaram o DCS diversas vezes, inclusive sobre um possível caso de abuso sexual ocorrido um ano e meio antes. “Nós não éramos os tutores legais, mas a gente tentou. Fizemos de tudo. O sistema falhou com ela”, afirmou.

A escola que Rebekah e os irmãos frequentavam, Empower College Prep, confirmou em nota que reportou suspeitas de abuso à proteção infantil doze vezes entre 2024 e 2025. Segundo a instituição, o DCS chegou a designar um investigador em pelo menos quatro dessas ocasiões, mas aparentemente nenhuma medida efetiva foi tomada. “Acreditamos firmemente que a morte dessa criança poderia ter sido evitada”, afirmou a direção da escola em comunicado oficial.

Diante da repercussão, o Departamento de Segurança Infantil divulgou uma nota dizendo que a criança era conhecida da instituição e que está colaborando com a polícia na investigação. A pasta prometeu uma revisão interna para identificar falhas e propôs mudanças sistêmicas para evitar novas tragédias. “Apesar da nossa experiência em segurança infantil, não podemos prever o futuro e devemos operar dentro dos limites da autoridade legal”, diz a nota.

Richard Baptiste e Anicia Woods estão presos sob fiança de US$ 1 milhão cada. As investigações continuam, e a causa oficial da morte só será divulgada após a conclusão do laudo do Instituto Médico Legal, que pode demorar até um ano.

Enquanto isso, familiares e a comunidade exigem justiça — e mudanças urgentes no sistema de proteção infantil para que casos como o de Rebekah jamais se repitam.

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