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BT MAGAZINE

Revista Brazilian Times # 86
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Brasileiro denuncia maus-tratos e isolamento extremo na prisão “Alcatraz dos Jacarés”:

A família pede que a situação seja investigada e que haja mais transparência nas condições em que os detentos são mantidos.


No meio dos pântanos dos Everglades, na Flórida, uma instalação cercada por crocodilos e silêncio abriga centenas de imigrantes que esperam por decisões judiciais ou deportações. Conhecida popularmente como “Alcatraz dos Jacarés”, a unidade prisional localizada em uma das regiões mais inóspitas do estado norte-americano tem sido alvo de denúncias graves. Entre os detidos, está um brasileiro que, segundo a esposa, sofre tortura psicológica diariamente, enfrenta problemas de saúde e quase não consegue contato com o mundo exterior.

Por medo de represálias, o casal pediu para não ter seus nomes divulgados. A mulher, que vive com os dois filhos — uma menina de 13 anos e um rapaz de 16 —, aceitou contar sua história em busca de justiça e visibilidade. A entrevista foi feita por telefone e, por várias vezes, interrompida pelas lágrimas da mãe e esposa desesperada.

Eu quase não consigo falar com ele. O centro dificulta tudo, tanto pra mim quanto pro advogado. Às vezes passam dias sem que eu saiba se ele está vivo ou morto”, desabafa.

Segundo ela, o marido está detido há pouco mais de três semanas sob custódia do sistema imigratório e encontra-se em condições desumanas. A mulher conta que ele estava em Plymouth (Massachusetts) e depois foi levado para a Flórida. “Ele está fraco, doente, com a saúde cada vez mais debilitada. Me contou, nas poucas vezes que conseguimos conversar, que a comida é de péssima qualidade. Já recebeu alimentos estragados e, muitas vezes, precisa escolher entre passar fome ou comer algo que pode deixá-lo pior ainda.”

Além da alimentação precária, o brasileiro relata um cotidiano de angústia e isolamento. “Ele está sendo torturado psicologicamente. Não sabe o que vai acontecer com ele, vive sem informações, preso dentro de si mesmo. Já vi o brilho no olhar dele desaparecer. Está perdendo peso, e a voz… parece outra pessoa”, relata a esposa.

A chamada “Alcatraz dos Jacarés” é o nome informal dado ao centro de detenção Krome North Processing Center, conhecido por sua localização remota e por práticas que, segundo organizações de direitos humanos, violam os padrões mínimos de dignidade. O acesso limitado a advogados, denúncias de negligência médica, alimentação precária e longos períodos sem comunicação com familiares são apenas alguns dos pontos denunciados por imigrantes, ex-detentos e ativistas.

No caso do brasileiro detido, a ausência de atualizações sobre seu processo imigratório agrava ainda mais a situação da família. “Ninguém me diz nada. O advogado mal consegue contato com ele. Parece que querem que a gente desista, que a gente esqueça que ele existe. Mas eu não vou esquecer. Meus filhos não vão esquecer. Ele é pai, marido, trabalhador. Não é criminoso”, afirma com firmeza.

A família pede que a situação seja investigada e que haja mais transparência nas condições em que os detentos são mantidos. “A gente não quer privilégio. A gente quer humanidade”, conclui a esposa, que sonha com o dia em que poderá reencontrar o marido em liberdade, seja no Brasil ou nos Estados Unidos, cercado pelos filhos e longe dos muros que hoje o enclausuram no meio do pântano.

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