Uma imigrante brasileira indocumentada, de 34 anos, foi presa por agentes federais de imigração em Milford, na semana passada, e transferida para um centro de detenção a cerca de 2.400 quilômetros de sua família.
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Brasileira de Milford é detida com filhas no carro e levada para centro de detenção na Louisiana
Uma imigrante brasileira indocumentada, de 34 anos, foi presa por agentes federais de imigração em Milford, na semana passada, e transferida para um centro de detenção a cerca de 2.400 quilômetros de sua família.
Tatiane De Jesus Santos foi abordada pelo U.S. Immigration and Customs Enforcement (ICE) em 29 de julho, enquanto dirigia com suas filhas, de 3 e 9 anos. Segundo seu marido e sua advogada, não está claro o motivo da detenção, já que ela não possui antecedentes criminais.
“Ela chorava, implorando: ‘Por favor, não me levem. Estou com minhas filhas’”, relatou a advogada Eloa Celedon. “As meninas gritavam, vendo a mãe ser levada. Para mim, foi um sequestro, pois não havia mandado judicial.”
O Departamento de Segurança Interna (DHS) informou que Tatiane havia ultrapassado o prazo de permanência permitido por seu visto, que era de seis meses. Ela está nos EUA há seis anos, desde que chegou com a família em 2018, inicialmente na Flórida, antes de se mudar para Massachusetts.
Segundo o DHS, ela foi colocada em processo de deportação. Em comunicado, a Subsecretária Tricia McLaughlin afirmou que o governo Trump está comprometido em “restaurar a integridade do programa de vistos” e pediu que imigrantes sem documentos se apresentem voluntariamente para deixar o país.
Celedon ressalta que a permanência além do prazo de um visto é uma infração civil, não criminal. Apesar disso, dados indicam que cerca de metade dos quase 60 mil detidos pelo ICE não possuem acusações ou condenações criminais.
O marido de Tatiane, Wediney Gomes De Santana, contou que um agente do ICE ligou do celular da filha para pedir que ele buscasse o carro e as crianças. Com medo de ser preso novamente — já que havia passado mais de duas semanas detido —, ele não saiu de casa. Os agentes levaram o carro até sua residência e entraram para deixar as meninas.
Wediney disse ter pedido que prendessem a ele em vez da esposa, mas ouviu como resposta: “Viemos por ela, não por você. Cuide das suas filhas.”
Tatiane foi levada para Burlington (MA) e depois transferida para um centro de detenção em Nova Jersey. No domingo, foi enviada ao South Louisiana Processing Center. A defesa busca agora sua liberação sob fiança enquanto o processo de imigração continua.
A família relata que a filha mais nova sofre de terrores noturnos desde a prisão. “Minha esposa é incrível, uma supermãe que cuida de tudo”, disse Wediney. “A vida sem ela está muito difícil.”
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