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Revista Brazilian Times # 83
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Libido offline: do Woodstock ao Roblox

Se os anos 60 e 70 foram sobre o amor livre, e os 80 e 90 sobre ostentar desejo em videoclipes da MTV, a Geração Z parece ter feito um pacto silencioso para pular essa parte. Estudos mostram que eles são, estatisticamente, a geração que menos transa na história recente e, para completar, têm níveis de testosterona mais baixos do que seus pais e avós na mesma idade. Enquanto uns choram o fim do tesão coletivo, outros, mais empreendedores, já perceberam a oportunidade de mercado: nunca se vendeu tanto tadalafil para jovens.

Se os anos 60 e 70 foram sobre o amor livre, e os 80 e 90 sobre ostentar desejo em videoclipes da MTV, a Geração Z parece ter feito um pacto silencioso para pular essa parte. Estudos mostram que eles são, estatisticamente, a geração que menos transa na história recente e, para completar, têm níveis de testosterona mais baixos do que seus pais e avós na mesma idade. Enquanto uns choram o fim do tesão coletivo, outros, mais empreendedores, já perceberam a oportunidade de mercado: nunca se vendeu tanto tadalafil para jovens. Afinal, quando a natureza falha, a indústria farmacêutica está lá, sempre pronta para salvar a festa (ou, neste caso, tentar iniciar uma). Mas talvez o episódio mais emblemático desse novo “romance” geracional venha de um lugar improvável: o Roblox. A plataforma, até então famosa por avatares cúbicos e jogos para crianças, acaba de lançar um recurso de namoro em realidade virtual. Sim, a favorita da Gen Z nos EUA,  já superando TikTok e Instagram em tempo de uso, agora quer ser também a casamenteira oficial dessa geração. Meta ambiciosa: tirar os jovens da seca… ainda que virtualmente.

E aqui está o ponto curioso: como criar uma “marca sexy” para um público com libido cronicamente em baixa? É difícil vender o apelo da sensualidade para quem acha que romance é mandar um emoji de pizza às 2 da manhã. Com hormônios no modo econômico, a estética “sex symbol” simplesmente não cola. É por isso que o marketing agora aposta menos em corpos suados e mais em memes autodepreciativos.

No fim das contas, talvez o problema não seja só a testosterona ou o desinteresse pelo sexo, mas a mudança completa na forma como o desejo é construído  e, claro, consumido. Para a Geração Z, paixão é uma tela de LED de 8 polegadas e conexão Wi-Fi estável. O resto… eles pedem pelo IFood.

Claudia Cataldi é Cientista Política 

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