Na época, o episódio desencadeou manifestações massivas em Worcester e uma forte reação política.
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Worcester divulga novas imagens de prisão da ICE que separou família brasileira
A cidade de Worcester, Massachusetts, tornou públicos novos registros de câmeras corporais e áudios de chamadas de emergência relacionados à controvérsia prisão de Rosane Ferreira de Oliveira, uma brasileira de 40 anos, ocorrida em 8 de maio na Eureka Street, que gerou comoção na comunidade local.
O material — divulgado pelo gerente municipal Eric Batista e pelo chefe de polícia Paul Saucier — inclui vídeos de três agentes da polícia e gravações de ligações para o 911, capturando o clima tenso do momento. A ação dos agentes do Departamwento de Imigração (ICE, sigla em inglês) ocorreu em meio a uma intensa agitação comunitária: moradores formaram um círculo humano ao redor dos agentes, exigindo a apresentação de um mandado de prisão.
As gravações mostram Rosane sendo conduzida a uma SUV do ICE sob choro e gritos das filhas. Uma delas, adolescente, foi derrubada no chão por policiais depois de tentar impedir a saída dos agentes. Ela estava com o bebê da família nos braços.
Em resposta ao incidente, o gerente municipal emitiu uma ordem executiva que restringe a atuação de agentes locais em políticas federais de imigração, permitindo apenas assistência limitada para segurança pública, escolta ou cumprimento de mandados criminais.
Rosane respondia a uma acusação de agressão com arma perigosa contra uma vítima grávida, supostamente usando um cabo de carregador de celular, conforme registros criminais.
Ainda, a adolescente presa durante a confusão foi acusada de colocar um bebê em perigo, perturbação da ordem pública, conduta desordeira e resistência à prisão — mas o departamento de polícia pediu que essas acusações fossem retiradas, “dadas as circunstâncias totais”.
Além disso, o caso ganhou novos contornos após as duas filhas adolescentes de Rosane, Nayara (17 anos) e Karoline (13 anos), desaparecerem enquanto estavam sob custódia do Departamento de Crianças e Famílias (DCF, sigla em inglês). Nayara teria fugido em maio e retornou ao Brasil, enquanto Karoline saiu da custódia em 20 de julho — seu paradeiro continua desconhecido.
O advogado da mãe criticou a falha sistêmica: “Se tiram a mãe, ao menos o governo deveria garantir cuidado às filhas. Parece que isso não aconteceu”, disse ele. Rosane permanece sob custódia do ICE em Dover, aguardando audiência final sobre sua situação migratória.
A DCF afirmou que a segurança dos menores é prioridade e que “quando um jovem desaparece da colocação aprovada, o Departamento notifica imediatamente as autoridades e empenha todos os esforços para localizá-lo”.
Na época, o episódio desencadeou manifestações massivas em Worcester e uma forte reação política. Durante uma reunião da Câmara Municipal, protestos levaram o prefeito Joseph Petty a remanejar os debates para formato remoto, citando preocupações com a segurança pública.
A vereadora Etel Haxhiaj, presente na cena da prisão, foi acusada de interferir nos agentes federais e passou a ser investigada. Por sua vez, lideranças locais classificaram sua postura como “liderança moral” em defesa dos direitos da comunidade imigrante. wbur.org
A história segue em desenvolvimento, com apelos por respostas claras do sistema de proteção à infância e da Justiça imigratória.




