Publicidade

Publicidade

edição ma

Edição MA 4392

Última Edição #4392

Edição MA 4392

BT MAGAZINE

Revista Brazilian Times # 86
Última Edição #86

Mães processam governo dos EUA após deportação de crianças, incluindo um menino com câncer

As duas mães relataram dificuldades de adaptação após o retorno forçado a Honduras.


Duas mães e seus quatro filhos menores, entre eles três cidadãos dos Estados Unidos, entraram com uma ação judicial contra a administração Trump alegando terem sido deportados de forma ilegal para Honduras. O processo, movido pela National Immigration Project no tribunal distrital da Louisiana, afirma que o Departamento de Imigração e Alfândega (ICE, sigla em inglês) violou suas próprias regras, além de leis federais, ao deportar as famílias sem devido processo legal.

Entre as crianças está um menino de quatro anos diagnosticado com câncer em estágio avançado nos rins, que vinha recebendo tratamento médico nos EUA. Segundo a ação, a deportação interrompeu seus cuidados e colocou em risco sua vida. A queixa judicial — identificada como JLV v. Acuna — também aponta que os pais foram impedidos de falar com seus advogados ou familiares para decidir sobre o futuro das crianças, e que foram forçados a assinar documentos sob pressão.

As mães, identificadas como Rosario e Julia, alegam que queriam que os filhos permanecessem nos Estados Unidos, mas foram deportadas “sem qualquer direito ao devido processo”. Julia relatou que foi convocada para uma checagem de rotina no ICE em abril, mas ao chegar ao local foi informada de que seria enviada de volta a Honduras com as duas filhas. Segundo seu advogado, quando ela hesitou em assinar a autorização para levar uma das meninas, um agente teria dito que, caso se recusasse, a criança seria enviada para um lar adotivo.

O Departamento de Segurança Interna (DHS, sigla em inglês) nega as acusações. Em nota à NBC News, a secretária-assistente Tricia McLaughlin afirmou que os pais receberam a opção de deixar os filhos sob cuidados designados nos EUA, mas optaram por levá-los para Honduras. Ela também disse que o ICE garante acesso a tratamento médico nos países de destino e classificou como “falsa” a alegação de que teria negado cuidados a uma criança com câncer.

Já Sirine Shebaya, diretora do National Immigration Project, afirmou que o caso expõe “ações não apenas ilegais, mas cruéis”, com “completo desprezo pelos valores familiares e pelo bem-estar das crianças”. Para a advogada Erin Hebert, do escritório Ware Immigration, os agentes do ICE “traíram seu dever mais básico: proteger cidadãos americanos”.

O processo ocorre em meio à intensificação das deportações sob a administração Trump, amparadas no Alien Enemies Act de 1798. Segundo o grupo Witness at the Border, mais de 1.000 voos de deportação já foram realizados para 62 países desde janeiro. A organização alerta que o monitoramento dessas operações ficou mais difícil, pois companhias aéreas têm pedido a retirada dos números de cauda de suas aeronaves de sites de rastreamento público.

As duas mães relataram dificuldades de adaptação após o retorno forçado a Honduras. “Depois de tantos anos nos Estados Unidos, tem sido devastador ser enviada de volta”, disse Rosario. Julia destacou que a decisão a separou do marido e causou sofrimento às filhas. “Fomos privados da oportunidade de decidir como família”, afirmou.

📱 Baixe o app Brazilian Times — Grátis

Publicidade

Brazilian Times
Brazilian Times
Grátis · Google Play
BAIXAR
×