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Revista Brazilian Times # 83
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Brasileiro que quase perdeu as pernas é citado em relatório que denuncia superlotação e mortes em centro de detenção de imigrantes

O Krome Processing Center, maior centro de detenção de imigrantes da Flórida, enfrenta um colapso estrutural marcado por superlotação, negligência médica e um aumento sem precedentes de emergências. Dados oficiais mostram que o número de chamadas para o 911 partindo do local dobrou no primeiro semestre de 2025, acompanhando um crescimento explosivo da população carcerária.

O Krome Processing Center, maior centro de detenção de imigrantes da Flórida, enfrenta um colapso estrutural marcado por superlotação, negligência médica e um aumento sem precedentes de emergências. Dados oficiais mostram que o número de chamadas para o 911 partindo do local dobrou no primeiro semestre de 2025, acompanhando um crescimento explosivo da população carcerária.

Segundo registros do Departamento de Imigração (ICE, sigla em inglês), a média diária de detidos em Krome saltou de menos de 600 no início do governo Trump para 900 em julho deste ano. Em abril, o número chegou a 1.800 pessoas — três vezes a capacidade oficial do centro.

O impacto imediato foi o aumento das emergências médicas. De janeiro a julho, foram mais de 170 chamadas ao 911, contra 86 no mesmo período do ano anterior. Metade desses pedidos de socorro envolveram pessoas doentes ou feridas — proporção muito maior do que a registrada em 2024.

 

Mortes e relatos de condições degradantes

Krome também se tornou o centro de detenção mais letal do país neste ano, com pelo menos três mortes confirmadas. Entre elas está a de Maksym Chernyak, imigrante ucraniano de 44 anos, que sofreu convulsões após dias de espera por atendimento. Em outro caso, o cubano Isidro Perez, de 75 anos, morreu em junho após reclamar de dores no peito.

Relatos de familiares e advogados apontam para condições degradantes. Novos detidos foram obrigados a dormir no chão, sem acesso a banho, água potável ou atendimento médico imediato. Houve registros de pessoas que permaneceram até uma semana em salas de processamento superlotadas, sem camas e com até 60 pessoas em espaços projetados para 25.

“É absolutamente horrendo. Em quase dez anos de advocacia imigratória, nunca vi nada parecido”, disse a advogada Chelsea Nowel, que representa clientes em Krome.

 

Negligência médica e abusos

Os problemas se estendem ao atendimento médico, administrado pelo ICE Health Service Corps. Registros e processos judiciais mostram que detidos esperaram dias ou semanas por consultas, inclusive em casos graves. Um brasileiro quase perdeu as pernas após uma infecção bacteriana não tratada a tempo; outro imigrante chegou ao hospital “a minutos de uma ruptura intestinal”, segundo médicos.

Há ainda relatos de agressões físicas e abusos contra detentos, incluindo perseguições a imigrantes LGBTQIA+. “Quando a solitária se torna uma opção melhor do que ficar com a população geral, isso mostra como as coisas estão terríveis”, disse Ron Smock, que visitava regularmente um amigo brasileiro no centro.

 

Pressão política e respostas oficiais

A crise em Krome ocorre em meio ao endurecimento das políticas migratórias sob o governo Trump, com apoio do governador da Flórida, Ron DeSantis. Mais da metade dos detidos não possui antecedentes criminais, mas foram presos em operações de rotina, como fiscalizações de trânsito e check-ins obrigatórios no ICE.

Apesar dos relatos, o congressista Carlos Gimenez afirmou, após visitar a unidade, que não viu superlotação nem falhas graves. “Não é o Ritz, mas não há nada ali que cause alarme”, disse à imprensa.

O ICE, questionado, não respondeu aos pedidos de comentário. Em sua última inspeção, realizada em maio, a própria agência registrou 14 falhas de conformidade, a maioria relacionada a cuidados médicos e salas de espera — mais que o dobro do constatado na avaliação anterior.

 

Críticas e apelos por alternativas

Organizações de direitos humanos defendem medidas alternativas à detenção, como monitoramento comunitário, especialmente para imigrantes com problemas de saúde, vínculos familiares e sem histórico criminal. “O que vemos é encarceramento em massa sem justificativa de segurança pública”, afirmou Nery Lopez, da Detention Watch Network.

Para Nowel, a crise é fruto de escolhas políticas: “Está muito pior do que jamais vimos. E tudo isso por nada. Não há razão para que esteja acontecendo”.

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