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Revista Brazilian Times # 86
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Prisões de imigrantes no sul do Alabama dividem famílias e alimentam temores de ‘perfil racial’, dizem defensores

As recentes operações de imigração no sul do Alabama têm provocado medo, desconfiança e rupturas familiares em comunidades hispânicas, segundo ativistas e líderes locais.

As recentes operações de imigração no sul do Alabama têm provocado medo, desconfiança e rupturas familiares em comunidades hispânicas, segundo ativistas e líderes locais.

Em Baldwin County, dezenas de trabalhadores da construção civil foram detidos nas últimas semanas durante batidas em canteiros de obras e paradas de trânsito, parte da intensificação da política de deportação do presidente Donald Trump desde seu retorno à Casa Branca.

Entre os afetados estão famílias inteiras que perderam seus principais provedores. A ativista Grace Resendez McCaffery, que atua há 20 anos no apoio a imigrantes ao longo da Costa do Golfo, contou que atualmente distribui alimentos, material escolar e itens básicos para crianças cujos pais foram levados sob custódia do ICE. “Se você prende um trabalhador, tira o sustento de toda uma família. Conversei com uma mãe de seis filhos que está apavorada com o futuro. Até lá, precisamos alimentar essas crianças e ajudá-las a ir para a escola”, disse.

McCaffery e outros defensores denunciam que muitos dos alvos dessas operações são selecionados com base em aparência física e tipo de veículo, e não em violações claras da lei.
“Os agentes se aproximam de carros com ferramentas ou escadas, presumindo que sejam trabalhadores da construção civil, e param motoristas apenas por parecerem hispânicos”, afirmou a ativista.

A Alabama Coalition for Immigrant Justice também critica a frequência das operações em canteiros de obras, associando as ações a denúncias de uso de mão de obra indocumentada no setor de construção, em meio ao crescimento populacional da região.
“Se o problema fosse realmente criminalidade, não faria sentido direcionar apenas uma indústria”, questionou Allison Hamilton, diretora da organização.

Segundo dados do TRAC Reports, até 10 de agosto, 70,4% dos detidos pelo ICE não tinham condenações criminais anteriores — contrastando com a promessa de Trump de focar em imigrantes envolvidos em crimes violentos.

As forças de segurança locais rejeitam as acusações de perfil racial. O capitão Daniel Steelman, do Departamento do Xerife de Baldwin County, afirmou:
“Não paramos ninguém por ser homem, mulher, negro, branco, hispânico. Todas as abordagens são feitas por causa provável.”

Apesar da negativa oficial, líderes comunitários relatam um clima de terror psicológico. Muitos imigrantes passaram a anotar números de telefone no corpo com caneta permanente, para poderem contatar familiares em caso de detenção.

Além disso, o acordo 287(g), assinado neste ano pelos xerifes de Mobile e Baldwin County, permite que agentes locais atuem como autoridades de imigração federais, intensificando a presença do ICE na região.

Para McCaffery, esse cenário está corroendo a confiança não só entre imigrantes, mas também entre cidadãos comuns que agora temem que vizinhos e colegas de trabalho possam ser os próximos alvos.
“Precisamos ir além da compaixão e começar a tomar decisões justas, para que todos possamos viver com igualdade”, disse.

Enquanto isso, as operações continuam: na última semana, 19 imigrantes foram detidos no condado, e não há sinais de que o ritmo de prisões vá diminuir.

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