Na manhã de quinta-feira, agentes federais de imigração prenderam um guatemalteco enquanto ele verificava um imóvel de sua propriedade no South End, segundo relatos de familiares.
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Agentes do ICE detêm um senhorio em New Bedford, na região de South End da cidade.
Na manhã de quinta-feira, agentes federais de imigração prenderam um guatemalteco enquanto ele verificava um imóvel de sua propriedade no South End, segundo relatos de familiares.
José Bonilla, 58 anos, residente em Everett, foi abordado por agentes do ICE na esquina da Roosevelt Street com a Cove Road. Ele havia ido até New Bedford para inspecionar um de seus três imóveis, um prédio situado na Cleveland Street.
De acordo com sua parente Carolina Zavora, que estava no carro com ele, os agentes já aguardavam no local e passaram a segui-los quando saíram. Ela disse ter visto pelo menos dois SUVs, outros veículos e cinco agentes. Ao interceptá-los, os oficiais mostraram a Bonilla a foto de um ex-inquilino.
“Ele explicou que não era a pessoa da foto”, contou Zavora em espanhol. “Depois pediram a carteira de motorista dele.”
Bonilla informou aos agentes que só estava na cidade para cuidar de sua propriedade e acrescentou que tinha uma petição de visto em andamento por meio da esposa, Norma Umana, portadora de green card. Segundo Zavora, após conferirem sua habilitação, os oficiais disseram que a petição havia sido negada.
“Não faz sentido”, reagiu a filha dele, Kimberly Samanta Portillo Umana, que saiu de Everett para buscar o carro do pai. “Quando verificamos, o processo ainda estava ativo.” O advogado da família confirmou, pelo site do USCIS, que a solicitação continua em andamento.
Registros judiciais de Massachusetts indicam que Bonilla teve uma acusação por dirigir sem licença em 2007, no Tribunal Distrital de Chelsea, que acabou arquivada.
A esposa de Bonilla, também da Guatemala, disse ser voluntária da organização de apoio a imigrantes Latinos Unidos en Massachusetts (LUMA). Ela havia viajado a El Salvador na quarta-feira, mas agora tenta antecipar seu retorno.
“Estou vendo passagens para voltar e estar com a minha família”, disse. “É revoltante. As pessoas trabalham, mas já não têm liberdade.”
Enquanto falava com o jornal The Light, Umana recebeu uma ligação: “É meu filho, nem sei como contar isso para ele”, desabafou.
Lucy Pineda, diretora da LUMA, afirmou que o caso de Bonilla foi apenas um entre vários relatados no mesmo dia. “É muito triste, porque são situações próximas de nós. Recebemos chamadas assim todos os dias, a cada hora”, declarou.
Desde o início do atual governo, a LUMA tem monitorado prisões de imigrantes em todo o estado com base em ligações de familiares. “Muitas vezes, eles não sabem para onde levaram seus parentes. Nosso trabalho é ajudar a localizar os detidos”, explicou.
Até a tarde de quinta-feira, o nome de Bonilla não aparecia no sistema de localização de detentos do ICE, que não respondeu aos pedidos de comentário. O jornal confirmou que mais de 50 pessoas já foram presas na região de Greater New Bedford desde fevereiro.
O caso acontece pouco mais de um mês após a última prisão migratória registrada localmente. Em 26 de julho, Jhovani Duvan Leiva Cornejo foi detido no Porto de New Bedford ao retornar de uma pescaria. Dois dias antes, outro salvadorenho, Juan Carlos Abarca-Jovel, também havia sido preso.
Na mesma manhã da prisão de Bonilla, agentes ainda interrogaram outro homem no North End sobre sua situação migratória. Imagens de câmera veicular mostram um agente mascarado, em uniforme militar, saindo de um veículo com placas de Nova Jersey por volta das 6h10 e perguntando em espanhol: “¿Tienes documentos?”.
Pouco depois, outro agente apareceu. O homem, que pediu anonimato, contou que foi liberado assim que perceberam que ele usava tornozeleira de monitoramento.
“Não tenho problema com o ICE”, afirmou em espanhol. “Meus documentos estão em ordem.”




