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Revista Brazilian Times # 83
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Coluna Debora Corsi: Xenofobia sem máscara

Um vídeo de ódio vindo de Portugal contra brasileiros chocou as redes sociais e expôs, mais uma vez, a face cruel da xenofobia. Na gravação, um cidadão português, tomado pela intolerância, afirma: “A cada português que me trouxer a cabeça de um brasileiro, (…) eu pago 500… 500 euros por cada cabeça”, disse o homem, tomado pela intolerância.

Um vídeo de ódio vindo de Portugal contra brasileiros chocou as redes sociais e expôs, mais uma vez, a face cruel da xenofobia. Na gravação, um cidadão português, tomado pela intolerância, afirma: “A cada português que me trouxer a cabeça de um brasileiro, (…) eu pago 500… 500 euros por cada cabeça”, disse o homem, tomado pela intolerância.

A gravação, que rapidamente circulou pelas plataformas digitais, causou forte indignação. Em resposta, a Polícia de Segurança Pública de Portugal informou à imprensa que o caso está sendo investigado.

Esse episódio escancara ao mundo o poder destrutivo da xenofobia. Se por um lado esse indivíduo se expôs sem pudor, por outro, sabemos que muitos não mostram o rosto, mas carregam no coração a mesma intenção de excluir aqueles que buscam reconstruir suas vidas em outros países. Além do ódio explícito, o vídeo chama atenção para dois pontos graves:

1 – A regressão da humanidade

Costuma-se dizer que a humanidade evoluiu: do homem da caverna ao homem de terno e gravata, poliglota, capaz de dialogar com a inteligência artificial. No entanto, o que vemos é um avanço das ciências e da tecnologia, mas uma regressão preocupante da essência humana. A verdadeira inteligência não convive com preconceito, assim como o amor não compartilha a mesma estrada dos sentimentos inferiores.

2 – O avanço da maldade

Há uma frase muito famosa, atribuída a Martin Luther King que diz: “O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética… o que me preocupa é o silêncio dos bons”. A maldade, em diferentes nações, ganha cada vez mais espaço. O que impressiona é a forma como ela se apresenta no palco da crueldade, como se buscasse protagonismo e aplausos. Se os bons não se calassem, os maus não se sentiriam tão à vontade. Se as consequências da xenofobia, do racismo e do preconceito fossem realmente severas, tais indivíduos se esconderiam como roedores em porões.

Ainda que o cenário seja preocupante, não podemos perder de vista os que caminham na contramão dos horrores. Homens e mulheres que se esforçam para espalhar respeito e solidariedade entre os povos renovam nossa esperança e dissipam o desânimo.

A prova disso é a existência do conceito oposto à xenofobia: a philoxenia, palavra grega que significa “amor ao estrangeiro”. Para refletir sobre esse contraste, trago as palavras do teólogo Alan Gentil, mestre em Religião, D.H. em Sociedade e doutorando em Teologia Contextual:

“A xenofobia mata literalmente, a philoxenia ressuscita, pois só ela pode transformar fronteiras em mesas e inimigos em irmãos. Precisamos descobrir de que lado estamos: do ódio que oferece preço pela vida do outro ou da esperança que insiste em amar aquele que vem de fora e é diferente de mim.”

Precisamos, com urgência, ampliar esse exército do bem e transformar a philoxenia em um verdadeiro estilo de vida. É natural que cada povo reverencie sua bandeira, mas isso não pode servir de justificativa para repelir o estrangeiro. Ao contrário, deveria ser a força de cada cultura somando-se à verdadeira evolução da humanidade. Estamos todos de passagem nesta terra; por isso, pouco importa a nação onde nascemos ou o país em que desejamos viver, afinal, somos todos estrangeiros no planeta que chamamos de lar.

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