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Revista Brazilian Times # 83
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Comunidades de imigrantes em Allston-Brighton (MA) se preparam para novas ações da imigração

Com a intensificação da campanha nacional de deportações do governo Trump contra imigrantes indocumentados, redes de apoio em Allston-Brighton, em Massachustets, com uma das maiores concentrações de estrangeiros da cidade, estão se reorganizando em meio a um clima crescente de medo. A região se tornou alvo de operações do Departamento de Imigração e Controle de Aduanas (ICE, na sigla em inglês) e, ao mesmo tempo, um polo de resistência comunitária.

Com a intensificação da campanha nacional de deportações do governo Trump contra imigrantes indocumentados, redes de apoio em Allston-Brighton, em Massachustets, com uma das maiores concentrações de estrangeiros da cidade, estão se reorganizando em meio a um clima crescente de medo. A região se tornou alvo de operações do Departamento de Imigração e Controle de Aduanas (ICE, na sigla em inglês) e, ao mesmo tempo, um polo de resistência comunitária.

Em maio, agentes da imigração realizaram uma operação no bairro, o que provocou uma reação imediata de moradores, líderes comunitários e organizações locais. Entidades sem fins lucrativos organizaram um protesto que reuniu mais de cem pessoas, enquanto a rede LUCE Immigrant Justice Network of Massachusetts acionou uma linha direta para verificar vídeos de possíveis detenções e treinar residentes sobre como agir diante de agentes federais.

Desde então, autoridades municipais e grupos comunitários vêm fortalecendo seus sistemas de apoio. Ainda em maio, o Escritório de Promoção da Imigração da Prefeitura de Boston anunciou que iria triplicar os recursos destinados a organizações que atendem populações vulneráveis. Além disso, líderes de entidades locais, como a Allston-Brighton Health Collaborative e o programa de Educação de Adultos da Gardner Pilot Academy, passaram a se reunir mensalmente para avaliar a presença do ICE na região e coordenar serviços voltados aos imigrantes.

Entre os brasileiros, a troca de informações tem sido uma ferramenta essencial. Heloisa M. Galvão, diretora do Brazilian Women’s Group, organização sediada em Brighton, criou um grupo no WhatsApp para responder dúvidas sobre imigração e compartilhar alertas sobre a movimentação de agentes. Desde junho, mais de cem pessoas já se juntaram à rede. Segundo ela, até cidadãos norte-americanos têm se engajado como voluntários.

“Temos um grupo, em sua maioria de mulheres, mas também alguns homens, que se oferecem para acompanhar pessoas ao médico, à escola ou até mesmo às compras”, disse Galvão.

Essa rede de solidariedade, no entanto, deve ser posta à prova novamente. Na semana passada, o Departamento de Segurança Interna anunciou a operação “Patriot 2.0”, com a promessa de “alvo nos piores dos piores criminosos ilegais”, destacando Boston devido ao seu status de cidade santuário. Poucos dias depois, agentes do ICE voltaram a atuar em Allston-Brighton e prenderam pelo menos uma pessoa próxima à Brighton High School, enquanto uma criança estava no banco de trás do carro.

A vereadora de Boston Elizabeth A. “Liz” Breadon, representante do bairro, criticou duramente a postura do órgão. “Existe essa prática de aparecer nos locais onde os imigrantes frequentam. É muito intimidante”, afirmou. “Você não se sente seguro para ir à igreja, levar os filhos à escola ou ir ao médico. Tudo isso impacta diretamente a saúde e o bem-estar das pessoas.”

O medo cresce a cada relato. Galvão contou o caso de uma brasileira que disse ter perdido contato com o marido e o filho, que saíram para o trabalho e não voltaram. Mais tarde, ela acreditou que ambos haviam sido levados por agentes federais para Nova York.

Esse cenário difere do vivido há dois anos, quando organizações comunitárias estavam sobrecarregadas com a chegada de milhares de imigrantes vindos do Haiti e da Venezuela em busca de moradia, documentos e emprego. Naquele período, o estado chegou a abrir em Allston o Family Welcome Center, administrado pelo Brazilian Worker Center, mas a unidade foi fechada diante da redução no fluxo de recém-chegados.

Hoje, em vez de acolher novos imigrantes, as organizações concentram esforços em proteger famílias já estabelecidas, mas que vivem sob o risco de deportação. Alguns indocumentados procuram ajuda, mas muitos ainda têm receio de se expor.

“Alguns ficam em pânico ou com muito medo, enquanto outros dizem: ‘Temos que viver com isso, vamos seguir em frente’”, relatou Carolline P. Hickey, professora de educação de adultos no Jackson Mann Community Center. “Muitos não buscam apoio porque acham que, se fizerem isso, vão se expor.”

Para líderes comunitários, a incerteza sobre os próximos passos da imigração só reforça a urgência desse trabalho. Como resumiu Breadon: “É uma estratégia muito deliberada para instalar medo nas pessoas.”

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