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BT MAGAZINE

Revista Brazilian Times # 83
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Coluna Cataldi: Vai com dor!

Vai e realiza, com dor e tudo! Quem não tem dor? Quem não tem problema? O que separa o vitorioso do perdedor é o apesar de. Apesar do problema, eu fiz. Apesar da tristeza, eu realizei. Apesar da mágoa, eu venci. Apesar da derrota eu consegui…

Vai e realiza, com dor e tudo! Quem não tem dor? Quem não tem problema? O que separa o vitorioso do perdedor é o apesar de. Apesar do problema, eu fiz. Apesar da tristeza, eu realizei. Apesar da mágoa, eu venci. Apesar da derrota eu consegui…

A diferença entre ficar preso no papel de vítima e escrever uma história de superação está nesse detalhe: não é viver sem dificuldades, é escolher não ser definido por elas. Dor não dá medalha, trauma não garante importância, sofrimento não abre porta,  lamúria nao paga a conta. Quando você transforma a dor em identidade, passa a carregar um crachá invisível de coitado, como se o mundo devesse algo a você. E é aí que a vida trava.

O trauma é real, ninguém nega. Mas não é currículo vitalício. Você não precisa passar os próximos dez, vinte ou cinquenta anos repetindo a mesma história como desculpa para não se mover. Ninguém aqui tem amnésia: todos carregamos lembranças do que nos feriu. A diferença é que os verdadeiros vitoriosos aprenderam a usar seus problemas como inspiração, transformando feridas em força e obstáculos em prova de superação. Quem sabe ter um inimigo não seja de todo ruim? Talvez seja justamente a figura contra a qual você precise provar que era você quem tinha razão, que era você o verdadeiro protagonista da história. Que a força atômica estava em você.  Pense nisso. Quanto mais você revive o passado sem usá-lo como mola propulsora de sua vitória hoje, mais o seu cérebro acredita que ainda está lá.

Tem gente que se acostuma tanto com o papel de vítima que acaba viciada nele. Acha confortável dizer “ninguém me entende”, “comigo foi pior”, “você não sabe o que eu passei”, ou a mais pesada: “essas coisas só acontecem comigo mesmo” Como se houvesse um campeonato do sofrimento. Mas a verdade é dura: nesse campeonato, não há pódio. Só existe desperdício de tempo e vida.

A vida não espera você parar de se lamentar. As oportunidades não batem eternamente à sua porta. Elas passam, e se você estiver ocupado demais competindo para ver quem sofreu mais, não vai perceber. A “energia de vítima” rouba tempo, fecha caminhos, aniquila oportunidades e destrói a sua capacidade de receber coisas boas.

Você não é o que aconteceu com você. Você é o que decide fazer agora. Ou vira a página, ou repete a mesma dor.

Vai e realiza, com dor e tudo. Porque no final, quem vence não é o que não sofreu, é o que decidiu vencer apesar do sofrimento.

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