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Revista Brazilian Times # 83
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EUA cancelam vistos da esposa e filha do Ministro da Saúde do Brasil

A embaixada dos Estados Unidos em Brasília foi procurada, mas não comentou a decisão.

O governo dos Estados Unidos cancelou os vistos da esposa e da filha de 10 anos do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em meio a uma série de medidas direcionadas a autoridades brasileiras após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão por tentativa de golpe em 2022. A decisão integra uma estratégia de pressão de Washington, que incluiu também sanções ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e o cancelamento de vistos de outros integrantes da corte.

Padilha classificou a medida que afetou sua filha como “um absurdo” e um “abuso diplomático”. Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, o ministro questionou qual risco uma criança representaria para os Estados Unidos e ressaltou que a decisão não tem precedentes. Ele afirmou que considera a ação uma extensão das pressões exercidas pelo governo norte-americano sobre autoridades brasileiras e sobre políticas de saúde pública, citando ainda o programa Mais Médicos, que já havia sido alvo de restrições de vistos de servidores brasileiros ligados à iniciativa.

Segundo Padilha, a justificativa apresentada pelos EUA para o cancelamento de vistos – que envolvia suposto benefício a médicos cubanos e alegações de exploração – não se aplica atualmente, já que cubanos não participam mais do programa. Para o ministro, a decisão é parte de uma ofensiva mais ampla que combina medidas contra a democracia brasileira e políticas públicas de saúde.

A situação tem impacto familiar para Padilha. Seu pai, Anivaldo Padilha, perseguiu durante a ditadura militar brasileira nos anos 1970, viveu exilado nos Estados Unidos. Alexandre só conheceu o pai oito anos após seu exílio, quando a situação política no Brasil começou a melhorar. Hoje, aos 85 anos, Anivaldo se disse perplexo com o cancelamento do visto da neta, segundo relato do ministro.

O episódio também ocorre em um contexto de tensão bilateral. Washington já impôs tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e manteve sanções individuais contra autoridades do STF. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, indicou que novas medidas podem ser aplicadas. Por sua vez, Padilha afirmou que o Brasil continuará defendendo sua democracia e políticas de saúde, destacando investimentos em instituições como Fiocruz e Butantan.

A embaixada dos Estados Unidos em Brasília foi procurada, mas não comentou a decisão.

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