Uma comitiva de prefeitos brasileiros está nos Estados Unidos com o objetivo de discutir os prejuízos causados pelas tarifas de exportação impostas pelo presidente Donald Trump.
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Prefeitos brasileiros viajam aos EUA para discutir impactos do “tarifaço” de Trump
Uma comitiva de prefeitos brasileiros está nos Estados Unidos com o objetivo de discutir os prejuízos causados pelas tarifas de exportação impostas pelo presidente Donald Trump. A missão, organizada pela Frente Nacional de Prefeitos e Prefeitas (FNP), participa de um encontro em Oklahoma City (Oklahoma), que começou dia 25 e segue até 27 de setembro, junto a lideranças da United States Conference of Mayors (USCM).
O grupo é representado pelos prefeitos Alexandre Ferreira (Franca-SP), Anderson Farias (São José dos Campos-SP) e Andrei Gonçalves (Juazeiro-BA). Segundo Ferreira, o objetivo é elaborar um documento conjunto a ser entregue aos governos brasileiro e norte-americano. “Precisamos retomar o diálogo e buscar soluções para os problemas causados pelo tarifaço, que afeta tanto a nossa produção no Brasil quanto o consumo nos EUA”, afirmou.
Entre os setores mais impactados estão as exportações de café, calçados, aeronaves e frutas. Ferreira destacou que os efeitos já são sentidos pelos consumidores norte-americanos: “O café já teve aumento de 21% no preço da dose em cafeterias, e o calçado que custava US$ 32 agora chega ao consumidor final por US$ 47.”
Dados da FNP mostram que, no primeiro semestre de 2025, os municípios brasileiros exportaram mais de R$ 948 bilhões, tendo a China (28%) e os EUA (12%) como principais destinos. Só as vendas para os Estados Unidos somaram R$ 114,5 bilhões, principalmente em petróleo bruto, café e carne bovina.
As cidades representadas na missão são altamente dependentes das exportações para os EUA. Em São José dos Campos, a fabricação de aeronaves responde por 67,5% das vendas externas. Já Franca, capital nacional do calçado masculino, exportou US$ 112 milhões em sapatos para o mercado norte-americano apenas no primeiro semestre.
O setor, no entanto, enfrenta dificuldades desde o anúncio de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, há cerca de dois meses. “Temos empresas em Franca que dependem 100% do mercado norte-americano. Algumas já acumulam estoques de quase 20 mil pares sem conseguir despachar, e isso pode levar a férias coletivas”, alertou Ferreira.
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