A comunidade brasileira na Grande Boston, a maior população imigrante de Massachusetts, enfrenta uma onda crescente de detenções realizadas por agentes do Departamento de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês), intensificada desde que o presidente Donald Trump assumiu o cargo.
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Sites destaca medo de brasileiros com aumento das detenções pelo ICE em Massachusetts
A comunidade brasileira na Grande Boston, a maior população imigrante de Massachusetts, enfrenta uma onda crescente de detenções realizadas por agentes do Departamento de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês), intensificada desde que o presidente Donald Trump assumiu o cargo. Segundo dados do Deportation Data Project, entre janeiro e julho de 2025, cerca de 2.800 imigrantes foram detidos no estado — aproximadamente 780 deles brasileiros. O número representa quase três vezes mais do que o registrado em todo o ano anterior.
De acordo com uma reportagem feita pelo site WGBH, o impacto tem sido devastador para famílias e negócios locais. Muitos brasileiros, que apoiaram Trump em 2024 acreditando em sua promessa de endurecer a política de fronteira contra criminosos, agora se sentem traídos. “Ele estava apenas sentado no carro, no estacionamento do prédio. Eles o detiveram e deportaram”, contou Sinvalda Oliveira, esteticista e cidadã norte-americana, sobre a prisão de um amigo próximo. Aos 56 anos, ela relata que sua clientela diminuiu drasticamente por medo das batidas do ICE. “Se essas operações continuarem, todos vamos quebrar. É horrível. Não é certo”, afirmou.
De acordo com estudo do Boston University Global Development Policy Center, 76% dos brasileiros da região de Boston votaram no ex-presidente Jair Bolsonaro em 2022. Pesquisadores apontam que parte significativa dessa comunidade também apoiou Trump em 2024. No entanto, diante das ações mais amplas de deportação, muitos repensam seu posicionamento político.
O clima de insegurança tem levado imigrantes a mudar hábitos cotidianos. Em Framingham, cidade com alta concentração de brasileiros, mercados e padarias relatam queda no movimento. “As pessoas estão muito estressadas. Cada vez que veem um carro preto com vidros escuros, o medo aparece”, disse Lenita Reason, diretora do Brazilian Worker Center, em Allston.

Casos de famílias desestruturadas se multiplicam. Heloisa Maria Galvão, do Brazilian Women’s Group, acompanha dezenas de histórias. Uma delas envolve um brasileiro deportado, mesmo com filhos cidadãos americanos e esposa gravemente doente. “Foi injusto”, avaliou.
O medo chega inclusive a cidadãos naturalizados, como Renata Nunes, de 27 anos, que vive em Marlborough. “Achei que, por ser cidadã, estava protegida. Mas não é verdade”, disse. A jovem compara o atual momento ao período da ditadura militar no Brasil, vivido por sua avó.
Alguns brasileiros optam por deixar os EUA voluntariamente, em um processo chamado de “autodeportação”. Foi o caso de uma mulher de Minas Gerais que, após a prisão do marido em Allston, retornou a Belo Horizonte com os dois filhos pequenos. “Não sei o que vou fazer agora. Estou perdida”, desabafou ao desembarcar.
Para pesquisadores, o aumento das operações reflete uma estratégia do governo Trump de focar em comunidades densamente povoadas por brasileiros, visando maximizar o número de detenções. “Nunca vimos nada parecido em três décadas”, disse Galvão.
Enquanto o governo federal reforça sua política migratória, brasileiros em Massachusetts — mesmo aqueles que já conquistaram a cidadania — vivem em alerta constante, divididos entre permanecer no país, resistindo à pressão, ou retornar ao Brasil diante da instabilidade.




