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Revista Brazilian Times # 86
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Tensões aumentam em grandes cidades dos EUA com ações do ICE

O endurecimento da repressão migratória, entretanto, tem ampliado o clima de medo em comunidades latinas. “Não importa de onde você venha. Se você tem aparência latina, é um alvo”, disse Barreto.


Nos últimos dias, operações do Departamento de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, sigla em inglês) provocaram confrontos e denúncias de abuso em várias cidades do país, em meio à intensificação da política migratória do presidente Donald Trump, que busca deportar um número recorde de imigrantes indocumentados.

No dia 25 de setembro, em um tribunal de Nova York, um agente do ICE foi filmado derrubando ao chão a equatoriana Mónica Moreta-Galarza, que pedia para que seu marido não fosse levado. O Departamento de Segurança Interna (DHS) considerou a conduta “inaceitável” e anunciou que o agente foi afastado de suas funções até a conclusão de uma investigação.

No mesmo período, em Broadview, subúrbio de Chicago (Illinois), protestos em frente a um centro de detenção foram dispersados com o uso de gás lacrimogêneo, balas de pimenta e granadas de efeito moral. Manifestantes acusam os agentes de violência desnecessária. “As pessoas estavam pacificamente atrás da cerca quando, sem motivo, começaram a disparar”, disse a reverenda Beth Brown, da Lincoln Park Presbyterian Church. O DHS, em nota, alegou que mais de 200 “manifestantes” bloquearam acessos ao prédio e tentaram invadir o local.

Na região de Boston (Massachusetts), segundo a ativista Milagros Barreto, do grupo La Colaborativa, uma guatemalteca residente permanente, identificada apenas como Hilda, foi jogada ao chão por agentes do ICE e acabou hospitalizada após agravar uma lesão nas costas. Barreto afirma que a mulher estava acompanhando um familiar em uma audiência judicial quando o veículo em que estavam foi interceptado. O DHS não confirmou os detalhes do caso.

Os episódios ocorreram poucos dias após um ataque contra uma instalação do ICE em Dallas (Texas), que deixou um detido morto e outros dois gravemente feridos. As autoridades afirmam que o atirador pretendia “matar e aterrorizar” agentes da imigração.

Enquanto a pressão federal aumenta, estados e cidades de tendência democrata têm buscado limitar a atuação dos agentes. Na Califórnia, o governador Gavin Newsom sancionou uma lei que proíbe agentes do ICE de usarem máscaras para ocultar a identidade, prática que críticos consideram prejudicial à transparência. O governo Trump, no entanto, defende o uso como forma de proteção.

O endurecimento da repressão migratória, entretanto, tem ampliado o clima de medo em comunidades latinas. “Não importa de onde você venha. Se você tem aparência latina, é um alvo”, disse Barreto.

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