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Revista Brazilian Times # 86
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ICE diz que cineasta brasileira presa em Los Angeles só será solta após deportação

Ainda segundo May, Marques e outros detentos ficaram mais de 12 horas sem comida. 


A cineasta brasileira Bárbara Marques, que vive e trabalha em Los Angeles (Califórnia) desde 2018, foi levada por agentes do Departamento de Imigração dos Estados Unidos (ICE, sigla em inglês), há duas semanas. Um diretor da agência afirmou que ela permanecerá sob custódia até ser repatriada.

Em nota, o ICE afirma que Marques “é uma estrangeira em situação irregular” e que “não possui documentos de imigração válidos que a autorizem a estar ou permanecer legalmente nos Estados Unidos”.

O marido, Tucker May, relatou, em uma publicação em sua conta no Instagram, que o casal estava em uma reunião relativa ao green card de Marques numa repartição pública em Los Angeles e que, ao fim do compromisso, um dos funcionários do governo deu a desculpa de que uma impressora estava quebrada e, com isso, conseguiu ludibriar a cineasta e fazer com que ela se afastasse de seu advogado.

Segundo a nota, agentes do ICE em Los Angeles a prenderam em 16 de setembro. Marques teria permanecido nos EUA além do prazo do visto concedido quando entrou pela primeira vez no país em 14 de março de 2018, e depois em 21 de novembro de 2019. A nota afirma ainda que um juiz de imigração determinou sua deportação para o Brasil.

“Estrangeiros que residem ilegalmente nos Estados Unidos são incentivados a se autodeportar”, segue a nota.

O ICE frisa que “estrangeiros em situação irregular agora enfrentam uma possibilidade muito real e iminente de ser localizados, presos e deportados pelo ICE” e destaca “um compromisso renovado com a lei e a ordem liderado pelo presidente [Donald] Trump e pela secretária [de segurança interna Kristi] Noem.

De acordo com relatos do marido, a brasileira não havia sido notificada de uma audiência à qual precisaria comparecer.

o marido de Bárbara enviou uma nota afirmando que ele a família estão “aguardando informações oficiais e atualizadas sobre o processo judicial em curso”.

“O advogado que atua na causa interpôs um recurso para defesa dos direitos da Bárbara, uma vez que ela seguiu todos os trâmites legais e apresentou aos órgãos competentes todos os documentos necessários para emissão do green card”, segue a nota da família. “Aguardamos, com muita confiança na Justiça, uma decisão judicial.”

Marques dirigiu um curta-metragem, “Cartaxo”, lançado em 2020, sobre o dia em que a atriz Marcélia Cartaxo foi homenageada no Los Angeles Brazilian Film Festival do ano anterior. Na ocasião, Cartaxo apresentou o filme “Pacarrete”, que venceu o Festival de Cinema de Gramado daquele ano.

Segundo o perfil da cineasta no IMDB, um dos maiores agregadores de informações sobre filmes, Marques fez outros curtas, como “Amor”, de 2018, sobre quando seu avô foi diagnosticado com Alzheimer, e “Basement”, de 2021, um terror com elenco americano.

Natural do estado do Espírito Santo, a capixaba se formou em cinema no Rio de Janeiro, em 2015, e depois estudou atuação na Amda, uma escola de artes cênicas em Los Angeles, segundo relato seu ao jornal A Gazeta.

Num primeiro momento, Marques foi levada para um centro de detenção de imigrantes em Adelanto, no estado da Califórnia. Depois, segundo May, foi transferida para o estado do Arizona e agora está detida no estado da Louisiana, que seria o último ponto antes de uma possível deportação.

Ainda segundo May, Marques e outros detentos ficaram mais de 12 horas sem comida.

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