O que, à primeira vista, parece apenas um passatempo inocente ou uma brincadeira despretensiosa, pode se transformar em um pesadelo de difícil solução para muitas famílias. É urgente falar sobre os jogos de azar, que têm causado sérios problemas dentro dos lares.
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Coluna Debora Corsi: Quando a diversão vira vício
O que, à primeira vista, parece apenas um passatempo inocente ou uma brincadeira despretensiosa, pode se transformar em um pesadelo de difícil solução para muitas famílias. É urgente falar sobre os jogos de azar, que têm causado sérios problemas dentro dos lares.
A ânsia por enriquecer rapidamente tem levado chefes de família a cometerem verdadeiras loucuras. A diversão deveria estar nas partidas de cartas entre amigos, no xadrez com os avós, nas brincadeiras de quadra com os filhos ou até mesmo no simples jogo da velha contra a inteligência artificial. No entanto, quando o entretenimento se mistura ao dinheiro, muitos já não sabem mais a hora de parar.
De acordo com reportagem publicada pela UOL Internacional em 15/10/2024, os americanos gastaram mais de US$ 1 bilhão em apostas on-line em apenas um mês — um número alarmante que evidencia uma epidemia silenciosa, responsável por arrastar inúmeras pessoas ao fracasso em diversas áreas da vida.
A ilusão de ganhos fáceis transforma o jogador em um viciado, embora ele insista em acreditar que se trata apenas de diversão. É uma alegria passageira que abre as portas para a tristeza e a destruição, afetando famílias inteiras que, muitas vezes, não sabem como lidar com a compulsão de um cônjuge ou de um filho.
O problema se agrava ainda mais porque o que deveria ser proibido é, hoje, tratado como algo lícito — e amplamente promovido com propagandas sedutoras. Raramente, porém, se mostra o outro lado: o das perdas irreversíveis. Pouco se fala sobre aqueles que chegaram ao fundo do poço — perderam bens materiais para pagar dívidas, tiveram casamentos destruídos, filhos que precisaram sair da escola particular para a pública, ou ainda recorreram ao álcool após uma perda financeira.
A facilidade dos jogos on-line tem atraído, especialmente, os jovens, que passam a acreditar ser mais vantajoso tentar a sorte do que buscar uma oportunidade legítima no mercado de trabalho.
É preciso lançar um holofote sobre essa questão, pois quando o fracasso atinge proporções incontroláveis, alguns não suportam o peso da derrota e acabam tirando a própria vida.
Tudo parece simples no início — e é exatamente por isso que devemos observar com atenção quem está ao nosso redor. É fundamental ajudar antes que o entretenimento se transforme em vício.
Se você já percebe que está caminhando por esse terreno perigoso, considere seguir estas orientações:
Busque ajuda de um profissional da psicologia.
Delete os aplicativos de jogos; o que está fora do campo de visão é mais fácil de controlar.
Crie uma rotina de atividades físicas e hábitos saudáveis.
Compartilhe com sua família as dificuldades que está enfrentando.
Conviva com pessoas que não têm essa prática.
Ao pensar em gastar dinheiro com apostas, transfira o valor para uma conta de investimento.
Não permita que a brincadeira vire vício. E, sobretudo, não deixe que o vício destrua sua vida.




