Ação federal durou um mês e mirou pessoas com antecedentes criminais; defensores de imigrantes alertam para excessos e impactos nas comunidades locais
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Operação “Patriot 2.0” prende mais de 1.400 imigrantes em Massachusetts
Da redação
O Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) anunciou a prisão de mais de 1.400 pessoas em situação migratória irregular durante uma operação de grande escala realizada em Massachusetts. A ação, chamada Operation Patriot 2.0, foi conduzida entre 4 e 30 de setembro e envolveu centenas de agentes federais em todo o estado.
De acordo com o comunicado oficial do ICE, a operação teve como alvo principal imigrantes com histórico criminal ou pendências judiciais. Segundo a agência, entre os detidos estão pessoas condenadas ou acusadas de homicídio, agressão sexual, tráfico de drogas, exploração infantil e envolvimento com gangues transnacionais. O órgão também afirmou que cerca de 600 dos presos possuem “condenações significativas ou acusações graves em andamento”.
Em nota, o ICE declarou que a “Operation Patriot 2.0” faz parte de um esforço nacional para retirar das ruas indivíduos considerados uma ameaça à segurança pública. A agência destacou que políticas de cidades e condados que restringem a cooperação com autoridades federais — conhecidas como sanctuary policies — teriam dificultado a transferência direta de criminosos de prisões locais para custódia federal.
“As políticas de santuário colocam a segurança pública em risco, obrigando nossos agentes a buscar criminosos perigosos nas ruas, quando poderiam ser entregues com segurança diretamente das cadeias locais”, afirmou o diretor interino do ICE na região da Nova Inglaterra, em comunicado divulgado à imprensa. “A mensagem é clara: quem estiver ilegalmente no país e cometer crimes será localizado e detido.”
Reações e críticas
A operação provocou reações diversas em Massachusetts, estado que abriga uma das maiores populações de imigrantes da Nova Inglaterra. Autoridades municipais de Boston e defensores de direitos civis criticaram a ação, alegando que esse tipo de operação gera medo entre imigrantes, inclusive entre aqueles sem antecedentes criminais, e enfraquece a confiança da comunidade nas forças de segurança locais.
“O que essas operações fazem é assustar famílias inteiras e afastar pessoas que precisam da polícia”, afirmou um representante da organização Massachusetts Immigrant and Refugee Advocacy Coalition (MIRA). “O ICE muitas vezes mistura casos de crimes graves com prisões de pessoas que não representam risco algum à sociedade.”
Entidades também relataram casos de detenções controversas, incluindo relatos de pessoas sem antecedentes ou com status legal em revisão. Em um caso amplamente divulgado pela imprensa local, um menor de idade teria sido detido, o que levantou questionamentos sobre o cumprimento de protocolos federais em prisões de juvenis.
Contexto e antecedentes
A “Operation Patriot 2.0” dá continuidade a uma série de ações semelhantes realizadas em Massachusetts nos últimos anos. Em 2023, uma primeira fase da operação resultou em mais de 800 prisões em estados do Nordeste, segundo dados do próprio ICE. Desde então, a agência vem intensificando as fiscalizações em “cidades santuário”, como Boston, Cambridge e Somerville — municípios que adotam medidas para limitar a cooperação direta com agentes de imigração.
Essas políticas locais são amparadas por leis como o Boston Trust Act, que impede a polícia da cidade de deter pessoas apenas por questões migratórias, a menos que exista mandado judicial. O governo federal, porém, tem criticado essas normas, alegando que elas interferem na aplicação das leis federais de imigração.
Próximos passos e repercussão na comunidade
O ICE informou que todos os detidos durante a operação serão encaminhados a centros federais de detenção enquanto aguardam audiência em cortes de imigração. Alguns poderão apresentar recursos ou pedidos de asilo, dependendo de sua situação legal.
Organizações comunitárias e grupos de apoio a imigrantes estão oferecendo assistência jurídica gratuita e orientações para famílias afetadas. Representantes de entidades locais afirmam que estão monitorando possíveis casos de violação de direitos e cobrando maior transparência sobre os critérios utilizados pelo ICE para as prisões.
Enquanto autoridades federais defendem a operação como um reforço à segurança pública, defensores de imigrantes afirmam que ela amplia o clima de medo e insegurança entre trabalhadores e famílias que vivem legalmente no estado, mas temem ser confundidas ou afetadas por ações de grande escala.
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