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Revista Brazilian Times # 83
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Biblioteca Brasileira de Nova York celebra a obra “Duke, the Dog Priest”, de Domício Coutinho

O evento do dia 30 será, portanto, mais do que uma simples apresentação de livro: será uma celebração da vida, da obra e da visão humanista de Domício Coutinho, um paraibano que fez da literatura uma ponte entre o Brasil e o mundo.


A Biblioteca Brasileira de Nova York realizará no dia 30 de outubro, das 17h às 19h, um evento especial no Consulado-Geral do Brasil em Nova York (225 East 41 Street, New York, NY 10007) para apresentar o romance Duke, the Dog Priest, uma das obras mais emblemáticas do escritor e professor Domício Coutinho. O evento será conduzido sob os auspícios da Brazilian Endowment for the Arts (BEA) — instituição fundada pelo próprio Coutinho e dedicada à preservação e promoção da arte e da literatura brasileiras nos Estados Unidos.

Publicado originalmente em português em 1998 e traduzido para o inglês por Clifford E. Landers em 2009, o romance mistura sátira, espiritualidade e crítica social, explorando os limites entre o sagrado e o profano. Com humor, lirismo e irreverência, Coutinho constrói uma narrativa ambientada em uma paróquia católica de Nova York — rebatizada de Nova Eboracense — onde padres, freiras e fiéis se veem divididos entre a fé e os instintos humanos. O personagem central, Duke, um cachorro que “adere” à paróquia, simboliza o conflito entre a natureza animal e a repressão religiosa.

Descrito por críticos como uma obra “entre Lima Barreto e Jonathan Swift”, o livro combina realismo mágico e fábula moral, sendo considerado por muitos uma espécie de “Cem Anos de Solidão nova-iorquino”, repleto de ironia, sensualidade e reflexão filosófica. O renomado tradutor Gregory Rabassa, conhecido por traduzir Gabriel García Márquez e Jorge Amado, chegou a afirmar que “Duke, the Dog Priest” apresenta um dos personagens mais notáveis da literatura brasileira moderna.

 

O legado de Domício Coutinho

Nascido em João Pessoa (PB) em 1931, Domício Coutinho emigrou para os Estados Unidos em 1959, onde se tornou um importante intelectual e promotor da cultura brasileira. Doutor em Literatura Comparada pela City University of New York (CUNY) e formado em teologia tomista-aristotélica pela Universidade Gregoriana de Roma, Coutinho foi um incansável defensor da língua portuguesa e da produção literária do Brasil no exterior.

Em 1999, fundou a União dos Escritores Brasileiros de Nova York (UBENY) e, em 2004, criou a Brazilian Endowment for the Arts, que abriga a Biblioteca Brasileira de Nova York — inaugurada em 2006 e hoje com mais de 7 mil títulos. Pelo conjunto de sua obra e contribuição cultural, foi condecorado como Comendador da Ordem de Rio Branco em 2002.

Domício Coutinho faleceu em Nova York, mas deixou um legado intelectual duradouro. Sua obra continua inspirando novas gerações de escritores e leitores, e a Biblioteca que leva sua marca segue como um símbolo da preservação da cultura e da literatura brasileira nos Estados Unidos.

O evento do dia 30 será, portanto, mais do que uma simples apresentação de livro: será uma celebração da vida, da obra e da visão humanista de Domício Coutinho, um paraibano que fez da literatura uma ponte entre o Brasil e o mundo.

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