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Revista Brazilian Times # 83
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Ator brasileiro torna-se cidadão dos EUA e fala sobre o impacto do curta “America”

Com “America”, Castellani e Muritiba unem arte e ativismo, explorando a dura realidade dos imigrantes sob uma perspectiva de humanidade, esperança e solidariedade — um lembrete de que, mesmo em meio a fronteiras e divisões, o amor e a empatia continuam sendo forças universais.


Pouco depois de concluir as filmagens do curta-metragem “America”, o ator brasileiro Luca Castellani alcançou um marco pessoal e profissional: tornou-se cidadão americano. A conquista, no entanto, veio acompanhada de sentimentos contraditórios. “É agridoce, porque olho para trás e não reconheço mais o país pelo qual lutei e onde desejei viver”, declarou Castellani durante um debate após a exibição do filme, ao lado do diretor Aly Muritiba, no Variety Screening Series 2025, mediado por Jazz Tangcay.

O curta aborda o impacto da imigração nos Estados Unidos por meio da história de um romance interrompido por um agente do ICE (Serviço de Imigração e Controle de Alfândega). O enredo reflete não apenas os desafios enfrentados pelos imigrantes, mas também a trajetória pessoal de Castellani, que deixou o Brasil aos 17 anos e levou uma década até conquistar a cidadania americana. “Costumo dizer que levei dez anos para fazer este filme”, afirmou o ator, destacando que, embora a produção tenha sido rodada em apenas quatro dias — incluindo uma cena gravada de forma clandestina durante um protesto real —, o roteiro ecoa sua própria jornada.

Aly Muritiba, consagrado diretor brasileiro conhecido por obras como “Cidade de Deus: A Luta Continua” (HBO) e por filmes de forte teor social, faz em “America” sua estreia em língua inglesa. Segundo ele, o projeto surgiu de uma necessidade pessoal de abordar a questão da imigração sob uma ótica humana. “Em toda a minha carreira, fiz filmes sobre temas sociais. Considero-me um lutador, e preciso usar minha voz para tratar de assuntos que considero importantes. Foi por isso que escrevi este roteiro”, afirmou.

Durante o painel, Muritiba também comentou sobre as diferenças entre Brasil e Estados Unidos em relação à democracia e ao enfrentamento de crises políticas. “No Brasil, tivemos um governo de tendências fascistas que tentou dar um golpe, mas agora o ex-presidente está indo para a prisão porque nossa justiça funciona. Hoje, o Brasil é a maior democracia das Américas, e tenho orgulho disso”, disse o cineasta. “Aprendemos uma lição e podemos compartilhá-la com outros países.”

Castellani, por sua vez, destacou o contraste entre o sonho americano e a realidade enfrentada por muitos imigrantes. “Tenho muitos amigos que vieram para cá em busca do sonho americano, mas ele acabou se tornando um pesadelo”, comentou. Ainda assim, o ator celebrou o novo capítulo de sua vida. “Agora me sinto seguro e muito orgulhoso de estar na América, lutando por este país como qualquer outro cidadão.”

O filme, segundo ambos, busca justamente refletir essa ambivalência emocional. “O que quero que o público entenda é que precisamos nos proteger e deixar as diferenças de lado”, disse Castellani. “No fim, tudo o que buscamos é amar uns aos outros — mas o sistema, a política e a religião acabam criando barreiras. O sistema está tão quebrado que impede as pessoas de fazer a única coisa que todos precisamos: amar.”

Muritiba resumiu o propósito do curta com uma frase simples, mas poderosa: “Este filme é sobre empatia. É uma história de amor em tempos difíceis.”

Com “America”, Castellani e Muritiba unem arte e ativismo, explorando a dura realidade dos imigrantes sob uma perspectiva de humanidade, esperança e solidariedade — um lembrete de que, mesmo em meio a fronteiras e divisões, o amor e a empatia continuam sendo forças universais.

 

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