Lunar enfatiza que o medo afeta toda a comunidade e alerta para o risco de escalada: “Não importa se agora parece que o ataque é direcionado a determinados grupos; eventualmente pode se espalhar. É hora de se unir e lutar contra esse fascismo que cresce no país”, declarou.
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Aumento das operações do ICE nos EUA gera ansiedade e ausências escolares entre crianças de famílias imigrantes
Educadores e ativistas relatam que o aumento das operações do Departamento de Imigração (ICE, sigla em inglês) nos Estados Unidos está gerando estresse, ansiedade e ausências escolares entre crianças de famílias imigrantes.
Segundo Clementina Lunar, ativista e tutora de estudantes de famílias imigrantes em Connecticut, os efeitos são visíveis nas salas de aula. “Desde que as operações começaram, percebo que as crianças têm mais dificuldade de se concentrar e expressam suas preocupações. Mesmo sendo jovens, elas sentem o estresse dos pais ou responsáveis diante dessa situação”, afirmou Lunar.
Com a entrada do segundo governo Trump em janeiro, as ações do ICE se intensificaram, alinhadas à meta da administração de deportar 1 milhão de pessoas por ano. Uma das primeiras medidas do presidente foi revogar uma política que protegia escolas da entrada de agentes do ICE, o que deixou estudantes e educadores vulneráveis e provocou medo generalizado, mesmo em estados distantes da fronteira com o México.
Dados analisados pelo New York Times mostram que as prisões diárias médias dobraram em 38 estados em relação a 2024, incluindo estados da Nova Inglaterra. Em Connecticut, entre janeiro e julho deste ano, o ICE realizou 405 prisões, ante 173 no mesmo período de 2024, com aumento de 145 deportações. Em Massachusetts, cerca de 2.800 pessoas foram detidas, incluindo 25% de brasileiros, segundo o Deportation Data Project.
Apesar do Departamento de Segurança Interna (DHS) afirmar que as escolas não são alvo de operações, professores relatam que alunos têm medo de frequentar as aulas, resultando em queda na presença escolar e problemas de saúde mental.
“Alguns dos estudantes que ensino disseram que não querem mais ir à escola desde que as operações do ICE aumentaram em suas comunidades. Em ocasiões de rumores sobre presença de agentes, houve aumento imediato nas ausências”, relatou uma professora de espanhol do ensino fundamental, que preferiu não se identificar.
Em Massachusetts, padrões semelhantes foram observados: em fevereiro, mais de 1.000 alunos da região de Boston faltaram à escola por medo de deportação. Em Chelsea, a expectativa é que a matrícula caia 5%, cerca de 300 estudantes, em relação ao ano anterior, enquanto Brockton registrou queda de 220 alunos que aprendem inglês como segunda língua.
Aumento de problemas de saúde mental
Pais e pediatras relatam mudanças comportamentais e sinais de depressão e ansiedade em crianças. Pesquisadores da Universidade da Califórnia, Riverside, apontam que a perda repentina de cuidadores devido a detenções ou deportações afeta o sono, apetite, estabilidade emocional e desenvolvimento. Estudantes mais velhos correm maior risco de pensamentos suicidas, uso de substâncias e problemas de comportamento. Um estudo de 2020 mostrou que crianças latinas entre 11 e 16 anos com familiares detidos ou deportados tinham maior risco de ideação suicida.
“Não se pode esperar que uma criança aprenda e tenha sucesso sem ter suas necessidades psicossociais básicas atendidas. É necessário sentir-se seguro e estável. Quando isso é tirado, tudo se torna extremamente difícil”, afirmou a professora de Connecticut.
Lunar enfatiza que o medo afeta toda a comunidade e alerta para o risco de escalada: “Não importa se agora parece que o ataque é direcionado a determinados grupos; eventualmente pode se espalhar. É hora de se unir e lutar contra esse fascismo que cresce no país”, declarou.
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