Alguns programas de visto H-1B em todo o país podem estar sob ameaça após o governo do presidente Donald Trump impor uma nova taxa de US$ 100 mil para empregadores que solicitarem novas inscrições.
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Nova taxa de US$ 100 mil ameaça programas de visto H-1B nos Estados Unidos
Alguns programas de visto H-1B em todo o país podem estar sob ameaça após o governo do presidente Donald Trump impor uma nova taxa de US$ 100 mil para empregadores que solicitarem novas inscrições.
O decreto, assinado em 19 de setembro, estabelece o pagamento único da taxa por parte das empresas que desejarem contratar profissionais estrangeiros altamente qualificados. O visto H-1B é destinado a trabalhadores especializados com, no mínimo, diploma de bacharelado.
Entre as empresas que mais solicitam o visto H-1B em 2025 estão Amazon, Apple e Meta, segundo dados do Departamento de Serviços de Cidadania e Imigração dos EUA (USCIS, sigla em inglês).
No entanto, hospitais, universidades e centros de pesquisa também dependem fortemente desse tipo de visto. “Temo que essa taxa acabe impactando o acesso aos cuidados médicos”, afirmou Anna Gorisch, fundadora e sócia-gerente do escritório Kendall Immigration Law.
O governo mantém um limite anual de 65 mil vistos H-1B, com mais 20 mil adicionais para estrangeiros com pós-graduação avançada. Entretanto, instituições de ensino e pesquisa, assim como a maioria dos hospitais, estão isentas desse teto, o que permite contratar conforme a demanda.
“Universidades estaduais não têm orçamentos ilimitados. Essa taxa representa um gasto enorme para instituições acadêmicas de saúde”, acrescentou Gorisch.
Em 2025, o USCIS aprovou 383 vistos H-1B para funcionários da Universidade de Michigan e 366 para profissionais da Mayo Clinic.
A legislação de Massachusetts, em 2014, já havia utilizado a isenção do teto para criar o programa Global Entrepreneur in Residence, que permitia a empreendedores imigrantes trabalhar em meio período enquanto desenvolviam seus negócios. O projeto, inicialmente lançado nas universidades UMass Boston e UMass Lowell, expandiu-se para outros estados, como Colorado, Michigan e Alasca.
“O objetivo era reter talentos formados aqui. Educar tantos estudantes estrangeiros e mandá-los embora seria um grande desperdício”, afirmou Julie Chen, reitora da UMass Lowell.
Agora, Gorisch alerta que programas como esse podem ser prejudicados pela nova taxa, especialmente em regiões médicas carentes. “Conversei com um cardiologista indiano que é o único médico da especialidade num raio de 480 quilômetros”, relatou.
Em 3 de outubro, sindicatos de profissionais de saúde e agências de recrutamento entraram com uma ação judicial contra o governo Trump, alegando que a taxa prejudica hospitais, escolas, igrejas, pequenas empresas e organizações sem fins lucrativos.
“O governo não considerou os danos que essa medida trará a comunidades em todo o país”, afirmaram os autores do processo. A audiência está marcada para janeiro de 2026.
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