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Revista Brazilian Times # 83
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Pai afirma que ele e filha de 1 ano foram atingidos por spray de pimenta durante ação de agentes federais

Um morador da região metropolitana de Chicago disse que ele e sua filha de apenas 1 ano foram atingidos com spray de pimenta enquanto se preparavam para fazer compras no fim de semana e acabaram cruzando com uma operação federal de imigração.

Um morador da região metropolitana de Chicago disse que ele e sua filha de apenas 1 ano foram atingidos com spray de pimenta enquanto se preparavam para fazer compras no fim de semana e acabaram cruzando com uma operação federal de imigração.

Rafael Veraza contou que o episódio ocorreu no estacionamento de um Sam’s Club em Cicero, no sábado. O município faz fronteira com Little Village, bairro de Chicago de maioria mexicana que tem sido um dos focos centrais de uma série de ações intensificadas contra imigrantes nos últimos dois meses.

Segundo Veraza, a família estava no carro quando ouviu buzinas e um helicóptero sobrevoando a área, sinais que têm sido usados para alertar sobre a presença de agentes federais. Eles decidiram deixar o local.

Nesse momento, um agente encapuzado teria se aproximado e disparado spray de pimenta pela janela aberta do veículo. A substância atingiu o rosto de Veraza e também afetou sua filha, como mostra um vídeo registrado pela família.

“Minha filha estava com dificuldade para abrir os olhos”, disse Veraza no domingo, enquanto sua esposa segurava a menina no colo. “Ela não conseguia respirar direito.”

Ele afirma que a família não estava participando de protestos nem tentando interferir na operação.

O pastor local Matt DeMateo chegou ao local após o ocorrido e gravou imagens da criança chorando enquanto a mãe tentava acalmá-la, além de Veraza tentando limpar os olhos.

“Uma família inteira, cidadãos americanos, atacada enquanto simplesmente fazia compras”, disse o pastor. “Precisamos de outra abordagem.”

O Departamento de Segurança Interna dos EUA negou a versão apresentada pela família.

“Não houve ação de controle de multidão nem uso de spray de pimenta no estacionamento do Sam’s Club”, afirmou a secretária assistente Tricia McLaughlin em comunicado enviado à Associated Press.

Conflitos ao longo do dia

O sábado foi marcado por confrontos tumultuados durante operações que já resultaram na prisão de mais de 3.200 pessoas supostamente em situação migratória irregular na região de Chicago. As práticas adotadas por agentes da Patrulha de Fronteira (CBP) e do ICE têm sido alvo de diversas ações judiciais.

Relatos e vídeos mostram agentes utilizando gás lacrimogêneo e balas de pimenta em várias áreas da cidade e subúrbios. Houve ainda ações dentro de uma creche para prender uma professora, ações contra motoristas de aplicativos no aeroporto O’Hare e uso de gás durante preparativos de um desfile de Halloween.

Little Village tem sido o ponto mais atingido. Moradores utilizam buzinas e apitos para avisar quando agentes estão próximos, e muitos comércios exibem placas pedindo que o ICE não entre.

De acordo com o DHS, durante uma operação na área, agentes teriam sido recebidos por um “grupo hostil” e um disparo teria sido efetuado contra oficiais. A agência também relatou que latas de tinta e tijolos foram arremessados contra viaturas. A polícia de Chicago foi acionada, mas não houve feridos.

“Deixando claro: nossa missão continuará, apesar das tentativas de intimidação”, afirmou McLaughlin.

Moradores, incluindo o pastor DeMateo, contestam essa versão, dizendo que agentes lançaram gás e spray de pimenta sem provocação.

Alguns manifestantes também confrontaram policiais de Chicago, acusando-os de dar suporte às ações federais.

O DHS informou que oito cidadãos americanos foram detidos, mas não esclareceu se foram acusados formalmente.

Uso de força sob investigação

Os acontecimentos ocorreram no mesmo período em que uma juíza federal de Chicago emitiu uma ordem limitando o uso de força por agentes federais, afirmando que um alto oficial da Patrulha de Fronteira forneceu informações falsas sobre supostas ameaças de manifestantes.

O DHS apresentou recurso contra essa decisão no domingo.

A ordem proíbe o uso de gás lacrimogêneo e balas de pimenta, exceto em situações de ameaça imediata, e determina que os agentes emitam dois avisos antes de recorrer a tais métodos. Também impede empurrões e agressões físicas contra manifestantes e jornalistas.

Em outro caso, o ICE foi instruído a melhorar as condições de um centro de processamento nos subúrbios, acusado por ativistas de funcionar como centro de detenção informal com condições desumanas.

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