Um estudante britânico da Universidade de Boston (BU), que atualmente preside o diretório dos Republicanos Universitários da instituição, tornou-se alvo de indignação pública em Allston após admitir que acionou várias vezes o Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE). As denúncias feitas por ele teriam levado à detenção de nove funcionários de um lava car, conforme revelou uma reportagem da revista Newsweek publicada esta semana.
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Estudante que denunciou trabalhadores imigrantes em lava car de Allston ao ICE enfrenta onda de protestos
Um estudante britânico da Universidade de Boston (BU), que atualmente preside o diretório dos Republicanos Universitários da instituição, tornou-se alvo de indignação pública em Allston após admitir que acionou várias vezes o Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE). As denúncias feitas por ele teriam levado à detenção de nove funcionários de um lava car, conforme revelou uma reportagem da revista Newsweek publicada esta semana.
Zac Segal, de 21 anos, nascido em Londres e integrante das equipes de atletismo da BU, afirmou em uma publicação na rede X que vinha alertando o ICE “há meses” sobre o estabelecimento próximo ao local onde mora. “Finalmente atenderam ao meu pedido esta semana e prenderam esses criminosos”, escreveu.
Segundo a Newsweek, a operação foi realizada em 4 de novembro e mobilizou 22 agentes federais. A porta-voz do Departamento de Segurança Interna (DHS), Tricia McLaughlin, confirmou à revista que nove pessoas em situação irregular foram detidas. Um dos trabalhadores já havia sido deportado anteriormente e retornado ao país sem autorização — uma infração considerada crime federal. O DHS, porém, não esclareceu se as ligações de Segal tiveram papel direto na ação.
A defesa dos trabalhadores apresenta outro cenário. O advogado Todd Pomerleau, que representa as nove pessoas presas — cinco mulheres e quatro homens — assegura que todos possuem autorização legal para trabalhar nos EUA. “Ultrapassar o prazo do visto não é crime; solicitar asilo também não”, declarou, criticando o fato de a operação não ter sido acompanhada de mandados. O advogado afirma ainda que os funcionários foram impedidos de pegar documentos pessoais no vestiário e “colocados em vans sem qualquer devido processo”.
A Newsweek aponta que o episódio ocorre num momento de forte tensão em torno das políticas de deportação em larga escala promovidas pelo governo Trump. No campus da BU, cartazes com a foto de Segal e palavras como “RACISTA” e “FASCISTA” foram espalhados por estudantes em sinal de repúdio. Já Martin Bertao, presidente nacional dos Republicanos Universitários, chamou Segal de “herói” e incentivou outros estudantes conservadores a imitarem sua postura.
Pomerleau também questionou a lógica usada pelo estudante britânico: “Se imigrantes estão tirando empregos de americanos, então ele mesmo não estaria ocupando a vaga de um estudante local?”. O gerente do lava car, Jose Barrera, afirmou à imprensa que agentes chegaram com intimações, mas começaram as prisões antes que qualquer documento fosse verificado.
A Newsweek descreve ainda condições precárias enfrentadas pelos detidos: falta de alimentação adequada, ausência de medicamentos e restrição ao acesso a advogados. Quatro mulheres foram inicialmente levadas à sede regional do ICE em Burlington; uma delas acabou transferida para o Texas mesmo após uma ordem judicial, e apenas agora está sendo trazida de volta à Nova Inglaterra.
Habeas corpus já foram apresentados na Justiça. A vereadora Liz Breadon, de Boston, classificou a operação como “sequestro” e “perseguição retaliatória” contra a cidade. McLaughlin, por outro lado, exaltou a ação afirmando: “Temos a fronteira mais segura da nossa história”.
Enquanto a defesa tenta garantir audiências de fiança, os nove trabalhadores permanecem sob custódia federal. Para a Newsweek, o caso revela como o debate sobre imigração está cada vez mais polarizado, colocando um estudante estrangeiro no centro de uma crise comunitária.




