Em meio aos desafios de criar filhos fora do Brasil, um grupo de WhatsApp formado apenas por mães brasileiras na Carolina do Sul vem se tornando um verdadeiro refúgio de acolhimento, troca de experiências, amizade e suporte emocional. O grupo, criado de forma espontânea, já reúne cerca de 80 mães, e continua crescendo.
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Comunidade de mães brasileiras cresce na Carolina do Sul e vira rede de apoio essencial
Em meio aos desafios de criar filhos fora do Brasil, um grupo de WhatsApp formado apenas por mães brasileiras na Carolina do Sul vem se tornando um verdadeiro refúgio de acolhimento, troca de experiências, amizade e suporte emocional. O grupo, criado de forma espontânea, já reúne cerca de 80 mães, e continua crescendo.

A iniciativa nasceu da necessidade de conexão. Ana Carolina Carney, que trabalha há 13 anos com realocação de famílias brasileiras nos EUA, conta que percebeu como as mães se sentiam sozinhas depois da mudança:

“As mães reclamavam da solidão, porque os maridos trabalhavam o dia todo. Eu achei que teria umas seis, dez mães… hoje somos 80. Uma ajuda a outra. E agora queremos oficializar encontros presenciais, criar lista de serviços, apoiar quem empreende. Nosso foco é: suporte sem julgamento.”

Depoimentos das mães
Jaina Kienen: “O grupo das mães só tem benefícios. Desde antes de eu mudar pra Carolina do Sul, uma mãe me adicionou e já começou o suporte. Chegar em um país diferente com criança, começando tudo de novo, é difícil. Elas ajudam até hoje. A gente já mudou de cidade, e mesmo assim o grupo continua sendo apoio.”

Manuela Powell: “A gente está acostumada com coisas do Brasil, como nebulização em casa, e aqui é tudo diferente. No grupo, a gente pergunta, tira dúvidas, troca experiência. Muitas não têm família aqui, e o grupo acaba virando a família escolhida.”

Michelle Konatu: “Estou no grupo há cinco meses. Foi meu primeiro contato com brasileiras aqui. Recebo dicas de médicos, remédios, passeios, tudo. É muito bom poder compartilhar dores e conquistas com quem entende nossa cultura e vive a mesma realidade.”

Juliana Thompson: “Vou fazer um ano no grupo. Quando a gente é nova aqui, fica perdida. No grupo, a gente vê que não está sozinha. Eu nem imaginava que tinha tantos brasileiros na região. Nossos filhos também criam amizades brasileiras, e isso faz diferença.”

Cloris Junges: “Estou há três meses. Desde a gravidez eu participo de grupos de mães brasileiras por onde morei. Quando mudei pra cá, já me colocaram nesse. É bom continuar uma rede que entende a gente.”

Danielly Pereira: “Estou há um ano na Carolina do Sul, mas morei quatro anos em Massachusetts. O grupo ajuda a gente a conhecer pessoas, não se sentir sozinha, ter suporte. Isso vale muito pra quem não tem família perto.”

Amanda Pimentel: “É quase uma família escolhida. As mães estão na mesma situação: morando fora, sem rede de apoio. Eu já pego dicas sobre desfralde, lugares pra ir, médico… tudo. E vou salvando tudo pro futuro.”

Lany Sakalosh: “Eu não conhecia ninguém. A Ana me apresentou ao grupo, e hoje minhas filhas têm amigas brasileiras. A conexão faz a gente se sentir em casa.”

Jessica Caldwell: “Estou há dois anos no grupo. Sempre que alguém precisa de indicação de médico, remédio, escola, tem uma mãe pronta pra ajudar. Une as brasileiras e também aproxima as crianças.”

Muito além do WhatsApp: o grupo agora se organiza para crescer
Segundo Ana Carolina, o próximo passo é criar encontros presenciais oficiais e uma lista de serviços oferecidos pelas próprias mães, como fotografia, comida, produtos infantis, limpeza, estética, aulas, etc.

“Queremos que nenhuma mãe passe pela solidão que tantas já passaram. Maternidade já é um peso enorme – fora do país, sem apoio, fica ainda maior. No grupo, não existe julgamento. Só apoio.”

Uma rede de afeto, cultura e identidade
Entre dicas de pediatras, comparação de remédios, receitas brasileiras, trocas de fraldas, febre, escola, birra, saudade e amizade, o grupo vem se tornando muito mais que um chat: um pedaço do Brasil no exterior.

E, como muitas delas dizem: “A gente não tem família aqui. Então a gente constrói uma”.

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