Mesmo com as críticas, o oficial de audiência concluiu que Joseph demonstrou ser “uma juíza ponderada, diligente e consciente, que não merece as severas críticas públicas que recebeu.”
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Juíza acusada de ajudar imigrante a escapar do ICE em Massachusetts não sabia do plano, conclui oficial de audiência
A juíza Shelley M. Richmond Joseph, de Massachusetts, acusada de ter ajudado um réu a evitar a prisão por agentes de imigração no tribunal de Newton, em 2018, não tinha conhecimento do plano de fuga e não enganou as autoridades judiciais sobre o ocorrido, segundo concluiu o oficial responsável pela audiência disciplinar do caso.
Apesar disso, o relatório recomenda que a magistrada receba uma reprimenda pública por ter criado, ainda que de forma involuntária, a aparência de parcialidade e conduta imprópria, ao permitir uma conversa “fora do registro” (off the record), em violação às regras do tribunal.
O documento, elaborado por Denis McInerney e datado de 31 de outubro — divulgado em 6 de novembro —, detalha que, no início da audiência de 2018, a juíza Joseph foi informada sobre a presença de agentes do U.S. Immigration and Customs Enforcement (ICE) nas dependências do tribunal. Após discussões sobre um mandado de prisão e um possível erro de identidade, o advogado de defesa pediu para conversar com a juíza em um “sidebar” — conversa privada fora do registro oficial.
Durante o julgamento disciplinar, o advogado afirmou que a ideia de permitir que o imigrante saísse pelos fundos do tribunal foi dele, e que a juíza teria autorizado o plano durante a conversa de 52 segundos.
A juíza Joseph, porém, negou a versão. Ela declarou que o advogado pediu apenas para ir à área de custódia com o cliente, com o auxílio de um intérprete — o que ela autorizou —, e que não houve qualquer menção a fuga. A promotora assistente presente na conversa confirmou a versão da magistrada, embora tenha admitido ter considerado o episódio “estranho” e se sentido desconfortável com as menções ao ICE.
Após o diálogo, o escrivão informou à juíza que um agente de imigração queria acessar a área de custódia. Joseph respondeu: “Tudo bem”.
“A juíza Joseph autorizou expressamente, e sem a menor hesitação, que o ICE tivesse acesso à área de custódia”, escreveu McInerney. Ele também destacou que o testemunho do advogado de defesa foi “inconsistente, sem sustentação e/ou implausível” em diversos pontos.
Ainda assim, o relatório observou que a juíza criou a aparência de parcialidade tanto por permitir o diálogo fora do registro quanto por ter feito comentários sobre o ICE que poderiam ser interpretados como viés contra a agência.
Mesmo com as críticas, o oficial de audiência concluiu que Joseph demonstrou ser “uma juíza ponderada, diligente e consciente, que não merece as severas críticas públicas que recebeu.”




