No mesmo fim de semana, organizações de defesa celebraram o anúncio de que centenas de agentes do ICE seriam transferidos de Chicago para Charlotte, na Carolina do Norte — um movimento visto como um alívio temporário para a região.
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Chicago: Dados revelam que maioria dos 615 imigrantes detidos não tinha antecedentes graves
A administração do presidente Donald Trump sustenta que, na aplicação das leis de imigração, está focada em prender “os piores dos piores”. No entanto, novos documentos apresentados pelo Departamento de Justiça revelam um cenário bastante diferente na área de Chicago.
Segundo informações divulgadas no dia 14, apenas 16 dos 615 imigrantes detidos nas operações recentes possuem antecedentes criminais classificados como de “alto risco para a segurança pública”, representando apenas 2,6% do total. Os números sugerem que a maior parte dos detidos são trabalhadores e membros da comunidade, sem ligações com crimes graves.
No início da semana, o juiz federal Jeffrey Cummings determinou que o governo apresentasse informações detalhadas sobre as prisões e indicou que poderia ordenar libertações caso não fossem apresentadas justificativas fortes de segurança pública.
Na sexta-feira, após analisar os documentos e constatar que a maioria das detenções não atendia aos critérios legais, o magistrado ordenou a libertação de todos os 615 imigrantes cujas prisões podem ter violado um decreto de consentimento firmado em 2022.
O juiz destacou que parte significativa dessas pessoas foi detida em situações cotidianas:
54 foram presas enquanto trabalhavam, incluindo paisagistas e motoristas de aplicativo;
20, no trajeto de ida ou volta do trabalho;
9, em lojas como Home Depot ou Menards, “presumivelmente buscando trabalho ou comprando suprimentos”;
7, durante audiências relacionadas à imigração;
11, em locais públicos como parques, postos de gasolina e até mesmo um drive-thru do Dunkin’ Donuts.
Cummings afirmou que é “altamente provável” que muitos desses imigrantes não estivessem sujeitos à detenção obrigatória e rejeitou a narrativa de que se tratavam de criminosos perigosos ou membros de gangues.
Violação do acordo Castañon-Nava
A lista divulgada pelo governo foi produzida no âmbito de um processo judicial que alega que agentes federais violaram repetidamente os termos do acordo de conciliação Castañon-Nava, que limita prisões sem mandado no estado de Illinois.
A ação aponta especialmente para abusos cometidos durante a operação conhecida como “Midway Blitz”, conduzida nos últimos meses pelo ICE e agentes da Patrulha de Fronteira.
Segundo o Chicago Sun-Times, os 615 nomes divulgados fazem parte de um universo maior de cerca de 1.800 detenções registradas entre 11 de junho e 7 de outubro. Apenas 750 dessas pessoas permaneciam no país, já que a maioria foi deportada de forma acelerada — e, portanto, seus antecedentes criminais não constam no relatório.
Gravidade dos antecedentes é mínima, apontam dados
De acordo com o Chicago Tribune:
5 dos 16 imigrantes com histórico mais grave têm registros de agressão doméstica;
2 têm antecedentes de dirigir embriagado;
1 apresenta histórico criminal não detalhado em outro país;
Nenhum possui acusações de crimes como estupro ou homicídio.
Reações e impactos comunitários
Para grupos de defesa dos imigrantes, os relatos reforçam que as operações têm provocado separações familiares, trauma e violações do devido processo legal.
Mark Fleming, diretor associado de litígios do National Immigration Justice Center (NIJC), afirmou:
“Comunidades em toda a área de Chicago foram traumatizadas pelas ações caóticas e violentas do ICE e de outros agentes federais nos últimos meses. Centenas de famílias já podem ter sido permanentemente separadas por prisões ilegais e deportações rápidas.”
Agentes deixam Chicago
No mesmo fim de semana, organizações de defesa celebraram o anúncio de que centenas de agentes do ICE seriam transferidos de Chicago para Charlotte, na Carolina do Norte — um movimento visto como um alívio temporário para a região.
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