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Revista Brazilian Times # 86
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Três trabalhadores imigrantes do Allston Car Wash são libertados após atraso na liberação de fiança

Para o advogado Pomerleau, rotular os trabalhadores como criminosos é “falso”, mas ele reforçou que Segal tem direito constitucional de expressar suas opiniões, ainda que equivocadas.


Três funcionários do Allston Car Wash detidos durante uma operação do Departamento de Imigração (ICE, sigla em inglês) no início do mês foram libertados na noite de terça-feira, após um atraso incomum no processamento de suas fianças. Yuli Magali Mendez Luarca, José Enriquez Sagastume e Dairo Preciado haviam recebido autorização de fiança na segunda-feira pela juíza de imigração Yul-mi Cho, após várias moções apresentadas pelo advogado Todd Pomerleau.

Segundo o advogado, todos deixaram a custódia “exaustos, traumatizados e a caminho de suas famílias”. Mendez Luarca foi liberada em Burlington, Massachusetts, após ser transferida de um centro de detenção no norte de Vermont. Ainda não está claro de onde Sagastume e Preciado foram liberados; ambos estavam detidos na unidade da ICE em Plymouth, Massachusetts. Outros seis trabalhadores imigrantes continuam detidos.

A operação do ICE ocorreu em 4 de novembro, em uma ação repentina durante a manhã. Testemunhas relataram a presença de mais de uma dezena de veículos pretos e trabalhadores sendo levados algemados, sob mira de armas.

Apesar da concessão de fiança, os três trabalhadores permaneceram detidos por horas devido a falhas no sistema online utilizado pela ICE para pagamento. Voluntários que tentaram efetuar os pagamentos relataram rejeições inesperadas, devoluções bancárias e dificuldades para obter suporte da agência.

As fianças foram estabelecidas em US$ 5.000 para Preciado e Luarca, e US$ 1.500 para Sagastume — todas integralmente pagas na manhã de terça-feira.

Pomerleau criticou a falta de transparência da ICE: “Eles nem informam às pessoas que pagaram a fiança se os trabalhadores serão liberados ou de onde sairão”, afirmou.

Segundo o advogado, não é incomum que trabalhadores libertados sejam deixados em locais aleatórios e sem aviso prévio, como estacionamentos próximos à cadeia do condado de Plymouth ou até mesmo na chuva, dificultando o retorno para casa.

Enquanto isso, outros trabalhadores detidos aguardam audiências de fiança. Vanessa Vasquez Valladares, detida com dois familiares, foi transferida do Texas para Vermont e pode ser ouvida em breve. Outra imigrante, Clarisa Aguilon, recebeu autorização de audiência pouco antes do fechamento desta edição.

A ICE não esclareceu o motivo da ação no estabelecimento nem se se tratava de uma auditoria de documentação trabalhista, o que exigiria que o negócio fosse notificado com três dias de antecedência.

Advogados e familiares afirmam que muitos dos nove funcionários detidos possuem status legal e autorizações de trabalho válidas, e que nenhum tem antecedentes criminais.

O caso ganhou ainda mais repercussão após Zac Segal, presidente do Boston University College Republicans, afirmar online que havia pressionado a ICE para realizar a operação. Em resposta, o Allston Car Wash divulgou comunicado repudiando a caracterização de seus trabalhadores como criminosos, classificando a atitude como “imprudente e angustiante”.

“Os funcionários detidos fazem parte de nossa equipe e da nossa comunidade. Estamos fazendo tudo ao nosso alcance para apoiar essas famílias”, declarou a direção do estabelecimento.

A Receita Federal e o Departamento de Segurança Interna não responderam às solicitações de esclarecimento sobre a alegação de Segal.

Para o advogado Pomerleau, rotular os trabalhadores como criminosos é “falso”, mas ele reforçou que Segal tem direito constitucional de expressar suas opiniões, ainda que equivocadas.

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